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terça-feira, 21 de maio de 2013

A Maldição de Canaã


A Nudez de Noé e a Maldição de Canaã (Gênesis 9:18 – 10:32)

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Introdução

A ordem de Deus para destruir os Cananeus tem incomodado igualmente crentes e não crentes:
Porém, das cidades destas nações que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, não deixarás com vida tudo o que tem fôlego. Antes, como te ordenou o Senhor, teu Deus, destruí-las-á totalmente: os heteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, para que não vos ensinem a fazer segundo todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, pois pecaríeis contra o Senhor, vosso Deus. (Dt. 20:16-18)
Ainda que a matança dos Cananeus seja sempre um assunto que nos causará apreensão, Gênesis capítulo 9 nos dá uma compreensão maior do problema.
Você deve entender que esta ordem foi muito mais difícil para os antigos Israelitas do que para nós hoje. Se Deus não tivesse endurecido o coração dos Cananeus para que se recusassem a fazer tratados com Israel (Josué 11:20), Israel provavelmente não teria procurado obedecer tão agressivamente a ordem do Senhor para destruí-los.
Podemos falhar ao avaliar a situação que Israel encarava quando se preparavam para possuir a terra dos Cananeus: eles tinham pouco ou nenhum contato com esses povos pagãos. Os Israelitas teriam achado muito difícil compreender as razões para serem totalmente sem misericórdia com seus inimigos, os Cananeus. Gênesis capítulo 9 coloca o assunto na perspectiva certa. Ele explica a origem das nações com as quais Israel, de algum modo, deveria se relacionar ao longo da história. Em particular, este relato explica a depravação moral dos Cananeus que torna necessária sua exterminação.
Gênesis 9 é crucial também por outras razões. É uma passagem que tem sido muito empregada para justificar a escravidão e, em particular, a subjugação pecaminosa dos povos negros ao longo dos séculos. Dizem que a maldição de Cam está sendo simplesmente cumprida à medida em que os negros vivem para servir a outras raças, particularmente aos brancos. Como veremos, através de uma cuidadosa consideração de nosso texto, esta interpretação não pode ser sustentada.

A Maldição de Canaã
(9:18-29)

Os versos que estamos considerando devem ser entendidos no contexto da seção em que nos encontramos. Gênesis 9:18 começa uma nova divisão que continua até o capítulo 11, verso 10. Moisés escreveu sobre o repovoamento da terra através dos filhos de Noé. Gênesis 9:20-27 explica o desdobramento da raça humana em três divisões por suas dimensões espirituais. Enquanto os Cananeus estão sob a maldição de Deus, Sem será a linhagem através da qual virá o Messias e Jafé encontrará bênção na união com a linhagem de Sem (e o descendente final, o Messias).
Cronologicamente, o capítulo 10 deveria se seguir à confusão de Babel (11:1-9). Esses versos no capítulo 11 explicam as razões para a dispersão das nações. O capítulo 10 descreve os resultados dessa dispersão. Mas o capítulo 10 é dado primeiro para permitir que a ênfase recaia sobre a narrativa da linhagem piedosa até Abrão.
Depois do dilúvio, Noé começou a lavrar a terra ao plantar uma vinha. O resultado de seu esforço foi o fruto da videira, vinho. Apesar da primeira menção de vinho não ser sem uma conotação negativa, não devemos concluir que, devido a este abuso, a Bíblia consistentemente ou sem qualquer exceção, condene seu uso (cf. Dt. 24:24-26, I Tm. 5:23).
Muitos ficam incomodados ante a deplorável condição de Noé, o homem que antes do dilúvio foi descrito como um “homem justo e íntegro entre seus contemporâneos” (6:9). Alguns sugerem que a fermentação talvez não tenha ocorrido senão depois do dilúvio, e que Noé estava simplesmente sofrendo o resultado inconseqüente de seus esforços inventivos.
Ainda que não devamos procurar desculpar Noé, precisamos reconhecer que Moisés não enfatizou a culpa de Noé, mas, sim, o pecado de Cam. Alguns sugerem vários tipos de males que tiveram lugar na tenda de Noé. Enquanto a linguagem empregada pode deixar espaço para certos pecados sexuais (cf. Lv. 18), pessoalmente não encontro nenhuma razão para presumir qualquer má conduta por parte de Noé, além da indiscreta bebedeira e sua conseqüente nudez. Talvez a melhor descrição para a conduta e condição de Noé seja a palavra “impróprio”.
Fico impressionado com a maneira pela qual Moisés se refere a este incidente, com um mínimo de detalhes e descrição. Ter escrito qualquer coisa a mais teria sido perpetuar o pecado de Cam. Holywood teria nos levado para dentro da tenda de Noé numa ampla tela em Technicolor. Moisés nos deixa de fora junto com Sem e Jafé.
Parece que Cam e seus dois irmãos foram alertados sobre a condição de Noé a fim de que todos os três ficassem do lado de fora da tenda: “Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos.” (Gênesis 9:22).
Enquanto Sem e Jafé se recusaram a entrar, Cam não teve reservas para entrar na tenda. Qualquer que tenha sido a falta de Noé, ele estava dentro de sua própria tenda, em privacidade (9:21). Essa era a maneira que Sem e Jafé queriam. Cam entrou, violando o princípio da privacidade; no entanto, não ajudou seu pai, mas se divertiu às suas custas.
Cam nada fez para preservar a dignidade de seu pai. Ele não cuidou para que Noé fosse devidamente coberto. Em vez disso foi para fora descrever vividamente a seus irmãos o desatino cometido pelo pai. Parece-me também que Cam talvez tenha encorajado Sem e Jafé a entrar na tenda e ver por si mesmos.100
A capa que Sem e Jafé usaram para não ver seu pai parece meio radical numa sociedade sexualmente permissiva. Por outro lado, nossas televisões nos têm dessensibilizado para a nudez ou grosseria. Não há nada que não seja anunciado, mesmo produtos que já foram considerados muito pessoais.
Colocando “a” roupa, com a qual Noé deve ter sido vestido, sobre seus ombros, eles entraram de costas na tenda. Sem olhar para seu pai, eles o cobriram e deixaram a tenda.
De manhã, quando Noé acordasse de sua bebedeira, saberia o que tinha acontecido. Não sabemos o que ele aprendeu com isso. Talvez estivesse consciente o suficiente para relembrar os acontecimentos da noite anterior. Uma coisa é certa - Sem e Jafé nada disseram a Noé, ou a qualquer outro. Desconfio que a estória foi bem divulgada ao redor do acampamento na manhã seguinte, e provavelmente, devido a Cam. Se Cam não hesitou em contar a seus irmãos, por que hesitaria em contar a todos?
Sem levar em consideração a fonte de informação de Noé, sua resposta teve amplas implicações. Canaã, o filho mais novo de Cam, foi amaldiçoado. Ele deveria ser o mais inferior de todos os servos101 de seus irmãos. Enquanto alguns entendem que “irmãos” do verso 25 se refira a seus companheiros, creio que se refere especificamente aos irmãos terrenos de Canaã, os outros filhos de Cam. Nesse sentido, a maldição de Canaã é intensificada nestes três versos. No verso 25, Canaã será subserviente a seus irmãos; nos versos 26 e 27, aos irmãos de seu pai, Sem e Jafé.
Visto dessa maneira, é impossível ver qualquer implicação desta passagem para a subjugação dos povos negros da terra. Cam não foi amaldiçoado nesta passagem, mas Canaã. Canaã não foi o pai dos povos negros, mas dos cananeus que viveram na Palestina e que ameaçavam os Israelitas.
No verso 26, não é Sem quem é abençoado, mas seu Deus: “Bendito seja o Senhor, Deus de Sem, e Canaã lhe seja servo.” (Gênesis 9:26)
Por isso, a linhagem piedosa devia ser preservada através de Sem. Foi dito que o Messias viria de sua descendência. A bênção não veio de Sem, mas através de Sem. A bênção flui de seu relacionamento com Yahweh, o Deus da aliança de Israel. E a servidão de Canaã é uma das evidências dessa bênção.
O Senhor fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se levantarem contra ti; por um caminho, sairão contra ti, mas, por sete caminhos, fugirão da tua presença. O Senhor determinará que a bênção esteja no teu celeiro em tudo que colocares a mão; e te abençoará na terra que te dá o Senhor, teu Deus. O Senhor te constituirá para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor, teu Deus, e andares nos seus caminhos. (Dt. 28:7-9)
Da mesma forma que a bênção de Sem consiste em seu relacionamento com Yahweh, Jafé será abençoado em seu relacionamento com Sem.
Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo. (Gênesis 9:27)
Acredita-se que o nome “Jafé” signifique “engrandecer” ou “aumentar”102. Através de jogo de palavras, Noé abençoa Jafé ao usar seu próprio nome.103 A bênção de Jafé será encontrada em seu relacionamento com Sem e não independentemente. Esta promessa é afirmada mais especificamente no capítulo 12, verso 3: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
Deus prometeu abençoar a Abrão, e as outras nações nele. Todos que abençoassem Abrão experimentariam as bênçãos de Deus, enquanto aqueles que o amaldiçoassem seriam amaldiçoados. Outra vez, Canaã será sujeitado todas as vezes em que Jafé estiver unido com Sem.
Há uma clara correspondência entre as atividades de Cam, Sem e Jafé e as bênçãos e maldições que os seguiram. Sem e Jafé honraram a Deus quando agiram juntos para preservar a honra de seu pai. Cam desonrou tanto a seu pai quanto a Deus ao saborear a humilhação de Noé. Assim Cam foi amaldiçoado e Sem e Jafé foram abençoados numa unidade cooperativa.
A questão que deve surgir da maldição de Canaã é: Por que Deus amaldiçoou a Canaã pelo pecado de Cam? Além disso, por que Deus amaldiçoou os Cananeus, uma nação, pelo pecado de um único homem?
A explicação que parece responder melhor a estas questões é que as palavras de Noé não trazem somente bênção e maldição, mas profecia. Ainda que seja verdade que os pecados dos pais visitam os filhos, isto é só “até a terceira e quarta geração” (Êxodo 20:5). Se este princípio fosse aplicado, todos os filhos de Cam deveriam ter sido amaldiçoados.
Pela revelação profética, Noé previu que as falhas morais evidenciadas por Cam seriam mais amplamente manifestadas em Canaã e em sua descendência. Percebendo isso, vemos que a maldição de Deus recai sobre os Cananeus por causa da pecaminosidade prevista por Noé.104 A ênfase então recai sobre o fato de que os Cananeus seriam amaldiçoados por causa de seu pecado, não devido ao pecado de Cam. Acho que isto explica porque Canaã é amaldiçoado e não Cam, ou o restante de seus filhos.
As palavras de Noé, então, contêm uma profecia. Canaã refletirá mais amplamente as falhas morais de seu pai, Cam. E os Cananeus manifestarão estas mesmas tendências em sua sociedade. Por causa da pecaminosidade dos Cananeus prevista por Noé, a maldição de Deus é expressada. O caráter daqueles três indivíduos e seus destinos serão refletidos associadamente nas nações que deles emergirem.

O Rol das Nações
(10:1-32)

Muito trabalho já foi realizado sobre este capítulo, mas restringiremos nossos esforços aos pontos principais. Como já mencionamos, a confusão de Babel precede cronologicamente este capítulo.
A ordem em que Moisés tratou dos três filhos de Noé reflete sua ênfase e propósito. Jafé é tratado primeiro porque é o menos importante ao tema que está sendo desenvolvido. Cam é o próximo a ser discutido por causa da parte importante que os Cananeus tiveram na história de Israel. Sem é mencionado por último porque é o personagem principal do capítulo. Ele é aquele através do qual virá o descendente da mulher. A linhagem piedosa será preservada através de Sem.
O rol das nações indica uma seletividade que também serve ao propósito do relato. Somente aquelas nações que são descritas desempenharão um papel chave no desenvolvimento nacional de Israel na terra de Canaã.
Em geral, a identidade dos descendentes dos 3 filhos de Noé é conhecida. De Jafé vêm os indo-europeus, dos quais os mais conhecidos seriam os gregos. Mesmo a história secular helênica vê Iapetos como seu antepassado.105 Leupold nos diz:
... os descendentes de Jafé são vistos espalhados por uma área bem definida desde a Espanha até a Media e em linha reta de leste a oeste.106
A maioria de nós seria da linhagem de Jafé.
Cam foi o antepassado daqueles que construíram grandes cidades e impérios, incluindo a Babilônia, Assíria, Nínive e Egito. Pute, provavelmente, foi o pai dos povos negros. De Canaã vem aquelas nações que em geral são conhecidas como os cananeus:
Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus, e os hamateus; e depois se espalharam as famílias dos cananeus. (Gn. 10:15-18, cf. Dt. 20:17)
Seu território foi aquele próximo a Israel:
E o limite dos cananeus foi desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza, indo para Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa. (Gn. 10:19)
Sem é o antepassado dos semitas. Precisamos ter cuidado em não confundir esta designação com os povos que falam as línguas semíticas. As línguas semíticas incluem tanto os povos de Sem como os de Cam.107Ross estabelece os descendentes de Sem como “... famílias que se expandiram desde a Ásia Menor até as montanhas ao norte da região do Tigre, ao U Sumeriano, ao Golfo Pérsico e finalmente até o Norte da Índia.”108
O descendente de Sem mais proeminente é Éber, o pai de Pelegue (10:25), antepassado de Abrão (cf. 11:14-26).
O propósito do capítulo 10 é bem sintetizado por Cassuto. Era:
(a) mostrar que a Providência Divina é refletida na distribuição das nações sobre a face da terra, da mesma forma que nos outros atos da criação e da administração do mundo; (b) determinar o relacionamento entre o povo de Israel e os outros povos; c) ensinar a unidade da humanidade pós-diluviana, a qual, como a raça humana antediluviana, era inteiramente descendente de um único par de seres humanos.109

Conclusão

Gênesis capítulos 9 e 10 foram vitais à nação de Israel uma vez que anteciparam a ocupação da terra prometida de Canaã. A maldição de Canaã explicou a origem da depravação moral dos Cananeus de seus dias. Mais do que qualquer outro povo, sua depravação sexual é comprovada pelas descobertas arqueológicas. Albright escreveu:
As comparações dos objetos de culto e textos mitológicos dos cananeus com os dos egípcios e mesopotâmios levam a uma única conclusão: que a religião cananita era muito mais centrada em sexo e suas manifestações. Em nenhum outro país foram encontradas tantas figuras de deusas da fertilidade nuas, algumas distintamente obscenas. Em nenhum outro lugar o culto às serpentes aparece com tanta força. As duas deusas Astarte e Anate são chamadas de “as grandes deusas que concebem, mas não dão à luz.110
Além disso, para explicar a razão para o extermínio dos cananeus, Gênesis 10 ajuda a identificá-los:
Ora os cananeus são relacionados, pois Moisés sabia que seriam muitas as associações de Israel com esses povos (cf. 15:16), e também Israel devia saber claramente quem era cananeu e quem não era, por causa de seu dever de expulsá-los da terra de Canaã (Dt. 20:17 e paralelos).111
Infelizmente, devemos perceber que Israel falhou em aplicar completamente o ensino desta passagem. Eles não destruíram totalmente os cananeus e por vezes se casaram com eles, para seu próprio prejuízo.
Há uma grande lição para nós nesta porção das Escrituras:
Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. (I Co. 10:6-12).
Tenho penado sobre esta passagem porque, de certa forma, ela parecia não ter grande impacto sobre a minha vida. De repente ocorreu-me que a questão é justamente a história da nudez de Noé para os homens de hoje.
Temos muita dificuldade em ficar grandemente impressionados pelo fato de Noé jazer nu e bêbado em sua tenda. Afinal, alguns diriam: seu pecado feriu alguém? Sua nudez não ocorreu na privacidade da sua tenda? Ficamos mais surpresos com as medidas “extremas” tomadas por Sem e Jafé do que pela nudez de Noé, não?
Por isso, os estudiosos tentam encontrar um pecado mais chocante que tenha sido cometido dentro da tenda. Alguns sugerem que Cam presenciou a intimidade sexual de seu pai com sua mãe. Outros pensam que Cam praticou um ato homossexual com seu pai semi-inconsciente. Mas nada disso é dito pelo texto.
Nosso grande problema hoje é que quase não temos mais nenhum senso de identificação com as atitudes ou atos dos dois filhos piedosos de Noé, Sem e Jafé. Não sentimos vergonha, nem ficamos chocados com a notícia de Noé em sua tenda. E a razão é o verdadeiro choque da passagem: fazemos parte de uma sociedade que não se envergonha e não se choca diante da indecência moral e sexual. Virtualmente toda espécie de intimidade sexual é retratada nos filmes e nas telas da TV.
Mesmo condutas anormais e pervertidas se tornaram rotineiras para nós. Sem nenhum senso de decência as coisas mais íntimas e particulares são anunciadas diante de nós e de nossas crianças.
Você percebe qual é o problema? Não nos preocupamos com a nudez de Noé porque descemos tanto no caminho da decadência que dificilmente hesitaríamos diante do que aconteceu nesta passagem. Ora, meu amigo, se a condenação de Deus recaiu sobre os atos de Cam e daqueles que andaram em seus caminhos, o que dizer de mim e de você? Que Deus nos perdoe por estar além do ponto do choque e da vergonha. Que Deus nos livre dos pecados dos cananeus. Que Deus nos ensine o valor da pureza moral e a sermos cruéis com o pecado. Que nós possamos nos recusar a deixá-lo viver entre nós, como Israel foi ensinado neste texto.
Há também um outro nível de aplicação. A maioria de nós tende a pensar em piedade em termos dos pecados que cometemos ou evitamos. Este relato nos informa que um dos testes do caráter cristão é a nossa reação aos pecados dos outros. Cam, aparentemente, se divertiu com o pecado de Noé, em vez de ficar abalado por ele. Não é isso o que acontece em nossas salas de estar diante dos aparelhos de TV? Não vemos nenhum horror no pecado, mas humor.
Como iremos reagir aos pecadores hoje? Iremos matá-los como Israel matou os cananeus? O Novo Testamento nos dá claras instruções sobre esse assunto:
E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. (Ef. 5:11-12)
Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. (Gl. 6:1)
Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. (I Pe. 4:8)
... salvai-os, arrebatando-os do fogo; quanto a outros, sede também compassivos em temor, detestando até a roupa contaminada pela carne. (Jd. 23)
Diferentemente de Cam, devemos aplicar o princípio da privacidade que Paulo reiterou em Efésios 5:12. Alguns pecados não devem ser escrutinados. Não devemos explorá-los, e nem compartilhar o que sabemos com os outros. Este princípio, creio, foi seguido por Moisés pelo modo como ele registrou, brevemente e sem detalhes ou enfeites descritivos, o pecado de Noé e suas conseqüências. Muito é dito das conseqüências, mas pouco das circunstâncias. Vamos aprender com isso.
Repare que nesta passagem de Efésios somos ensinados a revelar as obras infrutíferas das trevas (4:11). Isto não deve ser feito por explorar o pecado ou por viver nas trevas, mas por viver como luzes, brilhando num mundo de escuridão.
... até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo o vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. (Ef. 4:13-14)
O pecado é revelado pela justiça, não por falar das obras do mal.
Em Gálatas 6:1 somos ensinados a restaurar aquele que caiu em pecado. Aqui Paulo enfatizou a atitude madura daquele que se encarregaria desta obrigação. A pessoa deve ser habilitada com um espírito de brandura, alguém que também seja cônscio de sua própria fraqueza nessa mesma área.
Pedro nos ensinou que o pecado é melhor tratado quando é conhecido pelo menor número de pessoas. Amor não cobre pecados do jeito que vimos em Watergate. Aquilo foi um encobrimento. Procuraram manter as ações ilegais longe do escrutínio público. A cobertura sobre a qual Pedro escreveu é aquela que se esforça por manter o pecado na menor proporção possível, para que outros não sejam tentados ou atrapalhados pelo conhecimento dele.
Finalmente, Judas nos relembra do ódio que devemos ter pelo pecado e o desejo de santidade para permanecermos puros para a glória de Deus. Não devemos odiar o pecador, mas o pecado. Não devemos nos afastar daquele que caiu, mas arrebatá-lo do fogo.
Concluindo, encontro nestes versos 3 homens - Sem, Cam e Jafé, retratos dos homens na história da relação de Deus com os homens. Em Gênesis capítulo 12 encontramos a linhagem através da qual virá o Salvador sendo narrada da descendência de Abraão. Os homens serão abençoados ou amaldiçoados pela sua resposta a ele. (Gênesis 12:1-3)
No Calvário encontramos evidenciada a síntese do pecado do homem. Sem estava presente nos líderes religiosos judaicos que queriam o Messias morto e fora do caminho. Jafé estava presente nos Romanos que se uniram aos judeus para crucificar o Senhor da glória. E Cam estava presente em Simão Cirineu que servilmente carregou a cruz de Jesus (cf. Lucas 23:26).
Temos uma escolha a fazer, pois podemos experimentar as bênçãos de Jafé ou a maldição de Canaã. A descendência justa culminou com a chegada do Messias, o descendente da mulher (Gênesis 3:15), o descendente de Sem (Gênesis 9:26) e de Abraão (12:2-3). Em Cristo, pela fé e submissão a Ele como provisão de Deus para perdão e justificação aos pecadores, podemos experimentar a bênção de Jafé. Pelo desprezo e rejeição de Cristo - ao persistir em nossos pecados, ficamos debaixo da maldição de Canaã por toda a eternidade.
Possa Deus capacitá-lo a encontrar salvação e bênção em Jesus Cristo.

100 Alguns acusam Cam de praticar ato homossexual com Noé, enquanto este estava no torpor da bebedeira. Nosso texto diz que Cam “viu a nudez de seu pai” (verso 22). Ainda que a expressão “descobrir a nudez de outrem” possa ser um eufemismo para relações sexuais (cf. Lv. 18:6 e ss), esta não é a linguagem empregada em nosso texto. Além do mais, há em nossa passagem, um contraste entre Cam, que viu a nudez de Noé, e sem e Jafé, que não viram (Gn. 9:23). A descrição de como eles voltaram suas faces para não ver a condição de Noé, implica fortemente em que ver, ou não ver, era a essência da situação. A sugestão de que Cam viu Noé e sua mãe no meio de uma relação sexual tem o mesmo ponto fraco.
101 A expressão “servo dos servos” (verso 25) é similar às expressões “Senhor dos senhores” e “Rei dos reis”. É uma maneira enfática de expressar soberania ou servidão extremas.
102 “Tanto estudiosos antigos quanto modernos explicam esta palavra com sentido de “engrandecer”, baseados em seu uso aramaico... e esta parece ser a interpretação correta.” U. Cassuto, Comentário do Livro de Gênesis(Jerusalém: The Magnes Press, 1964), II, pp. 168-169.
103 Sem significa “nome” e é muito provável que seja um jogo de palavras também.
104 Esta é a conclusão de Leupold, que escreve “Mas, e quanto à justiça do desenrolar da história? Do nosso ponto de vista a maioria dos problemas já foi esclarecida. Entendemos “maldito é Canaã”, não “seja” (A. V.); e “ele será servo dos servos”, não no sentido optativo de “talvez ele seja”. O traço perverso revelado por Cam nesta história, foi, sem dúvida, visto por Noé como uma marca mais distinta em Canaã, o filho. O povo de Canaã revelará essa marca muito mais do que qualquer outro povo da terra. Predizer não envolve nenhuma injustiça. O filho não é punido pela iniquidade do pai. Sua própria desafortunada depravação moral, que ele revela e retém, é predita.” H. C. Leupold, Exposição de Gênesis (Grand Rapids: Baker Book House, 1942), I, p. 350.
105 “O primeiro ancestral desses povos foi Helena, que foi descendente de Prometeu, cujo pai foi um titã, Iapetos (Jafé).” Allen Ross, O Rol das Nações (dissertação de doutorado não publicada: Seminário Teológico de Dallas), 1976, p. 365, citando Neiman, “Data e circunstâncias da maldição de Canaã”, p. 126.
106 Leupold, Gênesis, I, p. 362.
107 Para uma análise mais detalhada, cf. Ross, pp. 371 e seguintes.
108 Ross, p. 375
109 Cassuto, II, p. 175
110 Willian F. Albright, “ Recentes Descobertas nas Terras da Bíblia”, Young´s Analytical Concordance to the Bible, 20th ed., p. 29, como citado por Louis B. Hamada, Implicações proféticas da maldição de Noé sobre Canaã (tese não publicada: Seminário Teológico de Dallas, 1978), p. 24.
111 Leupold, Gênesis, I, p. 372.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A raça negra é amaldiçoada?



A raça negra é amaldiçoada? – uma reflexão teológica sobre as supostas declarações racistas do pastor Marco Feliciano no Twitter.

 

O final do mês de março foi marcado por intensa polêmica no universo virtual acerca da declaração postada no Twitter pelo Deputado Federal (PSC-SP), pastor Marco Feliciano. A página da UOL Notícias destacou: “Deputado federal diz no Twitter que ‘africanos descendem de ancestral amaldiçoado". Em seguida a UOL trouxe o post com as declarações de Feliciano, conforme aparecem em seu Twitter: “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss”.
Ainda de acordo com a UOL, o parlamentar, que é pastor e empresário, afirmou que:
“Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids. Fome...”
Antes, o pastor evangélico disse que a maldição sobre a África supostamente provém do "1º ato de homossexualismo da história". "Sendo possivelmente o 1o. Ato de homossexualismo da história. A maldição de Noé sobre Canaã toca seus descendentes diretos, os africanos", afirmou também.
Em entrevista por telefone, Feliciano disse que as mensagens foram publicadas por assessores, sem a sua aprovação. O parlamentar afirmou também que não considera as mensagens racistas. "Não foi racista. É uma questão teológica", disse. "O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como a Aids, são todas provenientes da África", acrescentou.
Hoje, quase 20h depois das declarações, o deputado negou ser racista também no Twitter. "Tenho raízes negras como todos os brasileiros. Bem como dos índios e também europeus! Rejeito essas calunias infames! Aqui não seus desalmados", disse Feliciano.
Marco Feliciano foi eleito deputado federal nas eleições do ano passado, com mais de 211 mil votos, e diz ter 30 mil seguidores no Twitter. "Sou afro descendente, meu nariz é largo, meu cabelo é crespo. Tenho apoio do líder do movimento dos negros, pastor Albert Silva, de São Paulo", defendeu-se.”
Este comentário da UOL provocou um “efeito cascata” na rede virtual. De repente dezenas de blogs e sites passaram a taxar de racistas a declaração do parlamentar evangélico. O site: peticaopublica.com.br, imediatamente saiu à procura de assinaturas para um Abaixo-Assinado em favor da cassação do deputado por quebra de decoro parlamentar. O site justifica o recolhimento de assinaturas, que deverão ser encaminhadas à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, da seguinte forma :
“O deputado, embora tenha tentado alegar que as mensagens foram postadas em seu twitter por assessores sem a sua autorização, reiterou as mesmas idéias contidas na mensagem publicada, tentando esquivar-se das críticas ao afirmar que não se tratava de racismo, mas sim de “questões teológicas”, como se a religião pudesse servir de pretexto para que se ataque camadas da população impunemente.
Diante dessa clara e lamentável manifestação de racismo e homofobia nós, membros da sociedade civil, exigimos a cassação do mandato do parlamentar em questão, bem como as sanções legais cabíveis por crime de racismo e quebra de decoro parlamentar.
Não vamos admitir que os deputados se valham de sua imunidade para cometer crimes e desrespeitar camadas da população enquanto recebem salários custeados com o nosso dinheiro”.
O jornal O GLOBO pôs em destaque o fato com a manchete: “Deputado federal Marco Feliciano faz cora às declarações de Bosonaro e ataca negro e homossexuais no Twitter”.
De acordo com o JORNAL DO BRASIL, a Frente Parlamentar pela Igualdade Racial também irá analisar o conteúdo das declarações do deputado para “investigar possíveis manifestações racistas”.
Já o site O GALILEO traz o pronunciamento do deputado, conforme postado em sua página na internet. Aqui reproduzirei apenas a parte que será objeto da minha análise:
“Após algumas horas de uma postagem na internet: AFRICANOS DESCENDEM DE ANCESTRAL AMALDIÇOADO POR NOÉ. ISSO É FATO. O MOTIVO DA MALDIÇÃO É A POLÊMICA. NÃO SEJAM IRRESPONSAVEIS TWITTERS rsss Fui alvo de milhares de pedradas, sapatadas, raquetadas, "twittadas", e ainda virei matéria de mídias como UOL, etc.
O que gostaria aqui de explanar, explicar e logo depois DENUNCIAR é algo grotesco e absurdo!
Primeiro a Explanação:
Gn. 9:22-25 - E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera.E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos.E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por escravo..
No texto acima temos a citação bíblica onde Noé amaldiçoa o descendente de Cão, ou seja, toda a sua descendência, pois Canaã era o mais moço. Canaã representa diretamente a descendência de Cão representando todos os seus filhos.
Gn.10:6 - E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
Acima vemos os filhos de Cão. Entre eles Cuxe. Veja abaixo a citação do Historiador Hebreu:
Flavio Josefo dá conta da nação de Cuxe, filho de Cam e neto de Noé : "Para um dos quatro filhos de Cam, o tempo não para toda a mágoa o nome de Cush; para a Etiópia , sobre o qual reinou, são ainda menos Neste dia, tanto por si e por todos os homens na Ásia , etíopes chamados. "(Antiquities of the Jews 1.6). ( Antiguidades dos Judeus 1,6).
Bem, citando a bíblia e a história, a veracidade sobre a postagem. AFRICANOS DESCENDEM DE CÃO, FILHO DE NOÉ.
Pois bem, há duas coisas que precisam ser analisadas nessa guerra argumentativa. Primeiramente não vejo nestas palavras do pastor Marco Feliciano uma declaração explicta de racismo como quer a mídia. Há dezenas de vídeos do pastor Marco Feliciano, muitos deles postados no youtube, e em nenhum se percebe esse suposto racismo alegado pela mídia eletrônica. Era de se esperar que esse suposto racismo do deputado possuísse um histórico. Ele parece não existir! Em segundo lugar, o que é de fácil percepção é que o deputado, enquanto pastor, apenas repete ou perpetua uma interpretação equivocada que se popularizou entre os evangélicos neopentecostais – A DOUTRINA DA MALDIÇÃO HEREDITÁRIA! Há sim, um lastimável erro doutrinário fundamentado em uma flutuação teológica!
Entre os anos de 1990 e 2000 presenciamos uma verdadeira enxurrada de ensinos heterodoxos no meio do arraial evangélico. O ensino sobre “maldições de famílias” ou “maldição hereditária” despontou como sendo um dos principais. Multiplicava-se pelo Brasil a fora Seminários e mais Seminários enfocando esse assunto. Na verdade a doutrina da Maldição Hereditária se tornou uma paranóia no meio das igrejas neopentecostais. Por mais de uma vez assisti a cultos onde pregadores de renome nacional conclamavam os crentes a “quebrarem maldições que estavam sobre suas vidas”. A idéia por traz desse ensino era a crença de que alguma maldição não quebrada estava por traz da falta de prosperidade na vida do crente. A coisa se afastou tanto da Bíblia a ponto de muitos pregadores passarem a exigir dos fiéis a prática da regressão psicológica ou espiritual como condição de uma “libertação” plena. Foi detectado pelos apologistas que de 5.000 casos de práticas regressivas, cerca de 1.200 atestaram experiências de vidas passadas . Em palavras mais simples, a doutrina da maldição de famílias acabou por abrir porta para uma velha prática já há muito conhecida no espiritismo – a doutrina da reencarnação.
Apesar do bombardeio pesado por parte de muitos apologistas brasileiros, a doutrina da Maldição Hereditária ou de Famílias não acabou. Diminui a sua intensidade, mas vez por outra dar sinal de querer reerguer-se. Os apologistas Paulo Romeiro e Ricardo Gondim, somente para citar os mais aguerridos nesse combate, através dos seus escritos provocaram profundos ferimentos nessa teologia. Todavia observa-se que os apologistas não podem baixar a guarda sob pena de se constatar a ressurreição desse monstro que tanto males causou à igreja evangélica. É preocupante verificarmos que renomados escritores evangélicos continuem fazendo apologia dessa doutrina.
Ricardo Gondim observa que: “Umas das mais insidiosas heresias que tem surgido na igreja nesses últimos dias diz respeito a quebra de maldições familiares. Acredita-se que os pecados, alianças e padrões estabelecidos pelos antepassados podem exercer maldições sobre filhos, netos até a terceira ou quarta geração. Alguns, mais cautelosos, quebram maldições regredindo até à décima geração. O texto mais usado é êxodo 20.5 (...) Ora, se é Deus quem age, visitando a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração, como se quebra uma maldição de Deus?, certamente não é com uma repreensão verbal. A maldição da lei foi quebrada na cruz do Calvário e todos os que se apropriam da vitória de Cristo ficam livres de todo débito que tinham acumulado contra eles (Cl 2.14-15).
O que logo se percebe é que os fundamentos hermenêuticos, exegéticos e históricos defendidos pelo pastor, ora deputado, para justificar em seu texto a suposta doutrina da maldição hereditária não encontra apoio na história e nem mesmo na própria Bíblia. Ele diz citar a Bíblia e a história (o historiador judeu Flávio Josefo) para provar que os africanos descendem de Cão (Cam), filho de Noé. A argumentação do deputado, ora pastor, equivoca-se quando não percebe que Noé amaldiçoou Canaã, filho de Cão e não o próprio Cão (Cam). Se a raça negra não descende de Canaã, mas de Cão, então como poderia a maldição atingi-la? Não deveria ela atingir somente aos descendentes de Canaã, conforme narra o texto bíblico? E mais: porque somente os negros estariam sujeitos a maldição e não outros povos descendentes de Cão, tais como os egípcios, líbios e sul-arábios?
O expositor bíblico Warren W. Wiersbe, respeitado erudito, põe isso em destaque quando diz: “É uma pena que esse breve discurso tenha sido distorcido e interpretado incorretamente como uma “maldição”, pois aquilo que Noé disse teve muito mais caráter de profecia de um pai sobre seus filhos e netos. A palavra “maldição” só é usada uma vez, mas refere-se a Canaã, filho mais novo de Cam, e não ao próprio Cam. Isso indica que Noé estava descrevendo o futuro de seus filhos e de um de seus netos tomando por base o que via no caráter deles, algo não muito diferente do que Jacó fez antes de morrer (Gn 49)
[...] Há duas idéias equivocadas que devem ser esclarecidas. Em primeiro lugar, os descendentes de Cam (Cão) não eram membros da raça negra, mas sim caucasianos, de modo que não há qualquer fundamento para a instituição da escravidão nessa chamada “maldição de Canaã. Em segundo lugar, apesar de seus caminhos maus, alguns desses povos descendentes de Cam formaram grandes civilizações avançadas, como a dos babilônicos, dos assírios e dos egípcios”. Esse fato é visto ainda por outros expositores. De acordo com Bob Deffinbaugh “visto dessa maneira, é impossível ver qualquer implicação desta passagem para a subjugação dos povos negros da terra. Cam não foi amaldiçoado nesta passagem, mas Canaã. Canaã não foi o pai dos povos negros, mas dos cananeus que vieram na Palestina e que ameaçavam os Israelitas”.
É sempre perigoso assumir um posicionamento radical sobre qualquer assunto, quer seja ele de naturea "teológica" ou "científica" tomando como fundamento apenas suposições. O Nazismo alemão, responsável por uma das maiores trágédias da humanidade - o extermínio de seis milhões de judeus, - apoiou-se no mito da pureza da raça "Ariana" para justificar esse genocídio.
De com a Enciclopédia Judaica Tudo começou assim: No ano de 1808, Friedrich von Schlegel, célebre estudioso do sânscrito (católico casado com filha de Moisés Mendelssohn, Dorothea), observou, no decurso de suas pesquisas filológicas, certa proximidade entre o persa e o sânscrito de um lado e as línguas teutônicas (alemão, sueco, holandês, etc) de outro. A partir dessas observações inteiramente acidentais e de outras feitas por vários filólogos, elaborou finalmente uma hipótese complicada segunda a qual essas línguas "aparentadas" derivariam de uma língua ancestral comum, o "ariano", supostamente falada por um povo chamado "ariano", que habitava a terra de "Ariana". Nem é preciso dizer que o "ariano" era uma língua perdida e esquecida, os próprios "arianos"  haviam desaparecido no bojo da história, e a terra de "Ariana" era mencionada superficialmente no Zend Avesta, livro das escrituras semimíticas do Zoroastrianismo persa, escrito por volta do ano de 1000 a.E.C. Não há, porém, qualquer indicação de onde estaria situada.
Foi nesse hipóteticos arianos, habitantes de um país hipotético chamado Ariana, que falavam uma língua hipotética, o ariano, que os anti-semitas do século XX, entre os quais estavam, professores, jornalistas, e panfletários demagógicos alemâes, foram buscar as fontes de sua nobreza ancestral e de seu orgulho de fazer parte de uma "raça superior" da humanidade" (volume 5, p.36).
Fica, portanto, o alerta para que nínguem fundamente supostas verdades "teólogicas" tomando como base suposições e interpretações equivocadas do texto bíblico.
Não esqueçamos que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34) ) e que um só fez toda a raça humana! (At 17.26). No Senhor não existe branco, preto, pardo ou amarelo, mas um único povo comprado pelo sangue de Jesus!

Fontes consultadas:
www.uol.com.br. Acesso em 31 de março de 2011.
www.peticaopublica.com.br. Acesso em 01 de abril de 2011.
www.oglobo.com.br. Acesso 01 de abril de 2011
www.terra.com.br. Acesso em 01 de abril de 2011.
www.ogalileu.com.br. Acesso em 01 de abril de 2011.
HUNT, Davi. A Sedução do Cristianismo. Ed. Chamada da Meia Noite, 2005.
GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era. Editora Aba Press.
WIERSBE, W. Warren. Pentateuco – comentário bíblico expositivo.
http://www.bible.org/. Acesso 01 de abril de 2011.
Enciclopédia Judaica

Em um outro texto estarei analisando a suposta relação homossexual praticada por Noé.
Até lá
Pr José Gonçalves

Acesse o Blog http://prjosegoncalves.blogspot.com/2011/04/raca-negra-e-amaldicoada-uma-reflexao.html

domingo, 1 de abril de 2012

Pascoa - A Verdade por Tras da Festa

Celebração da Páscoa (a verdade por trás da festa)

A páscoa (do hebraico pessach, significando passagem) é comemorada, ao redor domundo, da mesma forma,com exceção da páscoa judaica que é,ainda nos dias de hoje,comomanda a tradição,do mesmo jeito que aconteceu a primeira páscoa nos tempos de Moises.
Acontecendo todos os anos entre os dias
21 de Março e 25 de Abril, a páscoa seaproxima da data da primeira, que foi estipulada por Deus como mandamento eterno. Nesta mesma data, enquanto aqui no hemisfério sul, é o inicio de outono, nohemisfério norte do planeta se inicia a primavera; e é comemorada a festa da primavera (ou páscoa) onde se presta homenagens á deusa da primavera Ostera (Ishtar ou Esther),umadivindade anglo-saxão,deusa da fertilidade,que tem sua imagem segurando um ovo(símbolo da vida) e sendo prestigiada por uma lebre(representando o deus Oastre,deus dafertilidade).A deusa babilônica Ishtar é aquela a quem a páscoa (easter, em inglês) se refere; narealidade ela era Semíramis,fundadora dos mistérios satânicos babilônicos.Semíramis éconsiderada co-fundadora com Ninrode (seu marido) de todas as religiões ocultistas.A páscoa pagã – dia de Ishtar, é celebrada em várias culturas e religiões do mundo;
01. Babilônia – Ishtar, também chamada deusa da lua (reparem que no ano de 325D.C.,durante o concilio de Nicéia,com a adoção do calendário gregoriano,a data da páscoaficou estipulada no primeiro domingo,após a primeira lua cheia do equinócio da primavera – equinócio,na astronomia,é o momento em que o sol,em sua órbita,cruza a linha doequador,o que ocorre em março e setembro).
02. Católicos – Virgem Maria (Rainha dos céus) ,
03. Chineses – Shingmoo,
04. Druidas – Virgo Paritura,
05. Egito – Ísis,
06. Efésios Pagãos – Diana,
07. Etruscos – Nutria,
08. Alemães (antigos) – Herta,
09. Gregos – Afrodite / Ceres,
10. Índia – Isi / Indrian,
11. Judeus apóstatas antigos – Astarte (Rainha dos céus),
12. Krishna – Devaki,
13. Roma – Vênus / Fortuna,
14. Escandinavos – Disa,
15. Sumérios – Nana.

Segundo historiadores, desde 1500 A.C.,existem bolos feitos com uvas; esses bolos,segundo a bíblia,foram usados para oferecer adoração à deusa dos céus (Oséias3:1),identificada como o planeta Vênus.Mais tarde,na festa da páscoa pagã, esses bolosforam usados com frutas secas, na forma de uma estrela pentalfa,(conhecida nos dias dehoje como o pentagrama),figura esotérica.A igreja católica uniu essas duas festas, páscoa (cristã) e da primavera (pagã),celebrando a festa cristã com todos os símbolos da festa pagã.

By Juras.