Nada de errado com viajar e fazer o programão turista: foi exatamente o que fizemos da primeira vez em que estivemos em Paris. Mas da segunda, armamos de dicas de pessoas que moram ou moraram em Paris e fomos atrás da Paris local. Esse artigo, sobre comida, conta a primeira parte de nossa busca.
Ok, você já leu as
top 5 coisas para ver em Amsterdam, e depois já espiou
mais cinco atrações famosas e seu roteiro pra Amsterdam já está montado. Mas é claro que a cidade tem seus segredos. Quanto mais tempo se passa aqui, mais se descobre. A cidade não se revela de cara. Você tem de conquistá-la - ao mesmo tempo que ela te conquista! Após quase dois anos morando aqui, ainda há muito o que explorar, mas já descobrimos algumas coisas que passam batidas pelos calouros de Amsterdam.
1. Van Gogh sem filas e quase só pra você
O Van Gogh Museum é uma das top 5 atrações da cidade, e está entre as mais visitadas do país. E merecidamente, aliás. Mas essa popularidade toda tem seu preço: o museu está em geral lotado e é preciso enfrentar filas malas e depois disputar cotovelo a cotovelo um espaço diante dos mundialmente famosos girassóis. Ainda assim, vale a pena. Agora, se você fizer sua lição de casa, terá sua recompensa.
Os desprevenidos pegam o tram (e pagam absurdos €2,60 por um bilhete de uma hora comprado a bordo
em vez de comprar com antecedência o OV-Chipkaart de 24 horas nas máquinas ou guichês da GVB numa estação do metrô) e entram na fila. Mas se você se der ao trabalho de acessar o site do museu e
comprar o bilhete on-line com antecedência, e imprimir, você pode pular a fila do guichê e ir direto pra entrada. Eles custam o mesmo on-line ou no guichê e você pode comprá-los e imprimi-los antes de viajar! O bilhete é válido por um bom período (os comprados no segundo semestre valem até 31 de dezembro deste ano, por exemplo). E crianças até 12 anos não pagam (máximo 3 bilhetes de criança por adulto.)
Se você usar
esse link e comprar pela Ticket Bar, você também pula fila — a diferença de comprar direto no Van Gogh é que eu ganho uma comissão.
Ok, mas durante o dia o museu ainda é lotadasso. E durante a noite? Durante a noite fecha, certo? Bem, não às sextas feiras. Sexta a noite rola a Museum Vrijdagavond, e muitos museus ficam abertos até mais tarde e fazem eventos extras. O Van Gogh, por exemplo, fica aberto até as 22h00 e sempre tem algo legal rolando no hall central. Um bar abre, e pode ter projeções de vídeo, música ao vivo, DJs. E não é bagunçado ou barulhento - pelo menos não quando fomos. É relaxado e gezellig (aconhegante? Agradável? A tradução de
gezellig é tão complicada quanto a tradução de saudades pra outras línguas.)
Da última vez nós vimos uma linda apresentação ao vivo de música de câmara francesa, acompanhando com vinho do bar, e depois vimos de novo o acervo permanente do museu praticamente sozinhos.
E se não ficou claro, reforço: a vrijdagavond rola não só no Van Gogh, mas em muitos outros museus. Procure e fuja da multidão.
Serviço
Site: http://www.vangoghmuseum.nl
Endereço: Paulus Potterstraat 7 (Fonte)
Horários: Diariamente das 10h00 às 18h00, exceto sextas, quando fica até as 22h00. (Confirme aqui)
Preços: Veja no site os valores atualizados.
Veja o programa e a descrição da Vrijdagavond no Van Gogh Museum.
2. Ache qualquer caminho no 9292ov.nl
Você está confuso de como ir de um lugar pra outro em Amsterdam? Como ir do seu hotel até o centro? Que tram pegar? (
Tram é o bom e velho bonde, que ainda funciona maravilhosamente bem na Europa e que foi tristemente erradicado das Américas devido a interesses da indústria automobilística.) Ou é melhor ir de ônibus? Muita gente nos escreve com essas perguntas. Oras, eu não sei todos os caminhos de cabeça. O que eu sei é procurar. E isso você também pode aprender.
O truque número um é usar o sensacional planejador de rotas holandês, o
9292ov. Até outro dia ele tinha apenas versão em holandês, o que limitava o público, mas agora lançaram uma
versão em inglês que facilita bem. Você pode procurar por endereço, estação de trem, aeroporto, atração e mais um monte de coisas.
Taque o endereço de onde você vai sair (ou atração mais próxima) taque o seu destino, veja que horas você quer fazer a viagem e mande ver no "Advise me". Vamos ver na prática. Digamos que você queira ir da Estação Central até o museu do Van Gogh. Escolha "trainstation" no "From", preencha Amsterdam Centraal Station (com dois aa no centraal). Daí no "to" escolha "museum" e digite "Van Gogh Museum" no campo abaixo. Digamos que você queira ir só de bonde, porque bondes são legais. Tique "means of travelling" e deixe apenas ticado o "tram". Se você não se importa com o modo de transporte, deixe como está. Sente o dedo em "Advise me".

Ele vai te perguntar se você quer ir pro museu do Van Gogh em Amsterdam ou em Zundert (seja onde for isso).

Amsterdam, claro. Advise me. Pronto. Diz a hora que sai o tram, qual o número da linha e onde fica a parada (olhe o
map). Dá o nome da parada onde você tem de descer, dá o mapa pra chegar no Van Gogh, e dá a hora em que você vai chegar. Sério, o que mais você precisa pra planejar como chegar nos lugares? É o que os locais usam o tempo todo.

Ah, e se não ficou claro, reforço: funciona pra Holanda toda, não só Amsterdam.
3. Vista aérea gratuita da cidade na OBA
Essa eu já citei antes no Ducs em Amsterdam, mas sempre vale repetir. Quer ter uma vista do alto da cidade? Casas antigas de frente pra água, o NEMO museum, tudo isso de graça? Em um dia aberto dá até pra ver um moinho de vento na cidade (e ele é a próxima dica, logo abaixo). Chegar lá é bico.
Veja no mapa o caminho da Centraal Station até a Biblioteca Pública de Amsterdam.
A partir da Centraal Station, saia dela e pegue a esquerda (em direção à Igreja de São Nicolau) e vá andando. Você irá passar pelo terminal de ônibus, pegue a passarela de pedestres (e bikes, claro), em direção ao restaurante flutuante chinês. Bem perto do restaurante, na passarela, à sua esquerda, você verá o prédio central da Biblioteca Pública de Amsterdam (Openbare Bibliotheek Amsterdam, ou OBA). Aliás, ela é linda - aproveite quando entrar. Suba até o último andar (o sétimo), onde tem o restaurante self-service La Place. Ele tem uma sacada que tem uma linda vista. E você não precisa pagar nada - nem consumir. A não ser, é claro, que você queira sentar na mesa, aí é de bom tom pegar ao menos um café.
Atenção: é comum o terraço estar fechado no inverno!
4. Cerveja artesanal com moinho de vento - Brouwerij 't IJ
A maioria das pessoas, quando pensa em cerveja holandesa, pensa em Heineken.
Todo respeito à famosa marca, mas há coisa muito melhor na Holanda em matéria de cerveja. Heineken pra cerveja holandesa é que nem 51 pra cachaça brasileira. E, de boa, dá pra tomar Heineken no Brasil.
Em vez de se acotovelar na Leidseplein pra pagar um absurdo num copo de Heineken, vá até a
Browerij 't IJ (fica na Funenkad 7. Use a dica anterior pra descobrir como chegar lá). Eles fazem a própria cerveja artesanalmente em quantidades limitadíssimas. A maioria é vendida lá mesmo no pub deles, ao pé de um moinho de vento! Pronto, fuja dos turistas, junte-se aos locais e ainda veja um clichezão holandês enquanto toma uma cerveja genuinamente local, artesanal. E deliciosa!
É possível
fazer um tour pela cervejaria e ver como fazem a cerveja (de sexta e domingo). Nunca fiz o tour, mas o pub/cervejaria valem mesmo sem ele. Há também queijos e outros lanches pra acompanhar a cerveja (que, aliás, é orgânica!) Ah, não vou dizer mais, vá lá! Depois, tente já bêbado pronunciar corretamente o nome da cervejaria e me mande um vídeo.

Se você tá no pique de cerveja, escrevi um artigo que é um
mini-guia de todos os meus pubs preferidos em Amsterdam e onde tomar cerveja na cidade. Cerveja boa, não Heineken.
5. Feiras culturais da Spui
A última dica de hoje é a het Spui (já citada no artigo das "
mais cinco atrações"). Ou melhor, a feira de livros usados que tem por lá toda sexta feira.
Pra quem curte ler, como eu, é uma perdição. E não, não tem livro só em holandês. Claro, português seria pedir demais, mas há grandes pechinchas em diversas línguas, inclusive espanhol e francês. Há também LP's usados, lindos livros de arte belamente ilustrados, posters, fotos antigas de Amsterdam, e um monte de tesouros que fazem a alegria dos ratos de sebo (um dos quais vos escreve nesse minuto

)
E, de domingo, há uma feira de arte no mesmo local. Há arte pra todos os gostos e bolsos, mas olhar é sempre de graça. A maioria das vezes o próprio artista está lá vendendo, e podem rolar papos muito legais. E a Spui é uma atração em si, claro.
Por enquanto é só, pessoal
Ainda restam muitas e muitas dicas, mas é hora de irmos encerrando. Cinco é bom número para listas. Mas se você quer mais dicas quentes, eu escrevi um
Guia de Amsterdam(