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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ordenação de Mulheres ao Ministerio Pastoral

Pastor assembleiano Antonio Gilberto afirma que ordenação de mulheres ao ministério pastoral é antibíblico: “A igreja vai prestar conta”. Leia na íntegra

Pastor assembleiano Antonio Gilberto afirma que ordenação de mulheres ao ministério pastoral é antibíblico: “A igreja vai prestar conta”. Leia na íntegra
A ordenação de mulheres a cargos eclesiásticos, como o diaconato e pastorado é uma realidade, mas não unanimidade. Diversos ministérios aceitam e elegem mulheres para esses cargos, porém diversos outros se recusam a fazê-lo.
Nas Assembleias de Deus, uma das mais tradicionais denominações, algumas convenções tem aceitado a ordenação de mulheres ao ministério, outras não, e por isso o assunto tem rendido bons debates entre líderes.
O consultor doutrinário da CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus), pastor Antonio Gilberto, afirmou ser contra a ordenação de mulheres ao diaconato ou pastorado, por ser anti-bíblico: “Muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. E como é que isso está acontecendo?”, questiona.
Para Gilberto, as pessoas que lideram as denominações terão que prestar conta a respeito do assunto: “É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres”, enfatizou.
Como o debate gira em torno da legitimidade bíblica ao redor das nomeações, o pastor enfatizou que não é somente as ordenação de mulheres que será cobrada da liderança das igrejas. Segundo ele, muitas outras coisas que não estão na Bíblia, mas que são impostas pelas igrejas, serão pesadas por Deus.
-É anti-bíblico. E o que fazer? Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros [...] Onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide! – observou.
Apesar de não encontrar base bíblica para a questão, o pastor apazigua os ânimos afirmando que não vale a pena estimular o embate: “Não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso”.
Confira abaixo, a íntegra da entrevista do pastor Antonio Gilberto ao pastor Paulo Pontes, do siteSeara News:
O movimento neo-pentecostal tem levado as pessoas ao entendimento de que a moda agora é ser pentecostal. O que o senhor diz?
O ponto principal está na palavra neo-pentecostal, que é um desvio da doutrina. Se alguém é desse movimento não queira me querer mal, mas o movimento neo-pentecostal ou neo-pentecostalismo, é desvio da doutrina da Bíblia.
A Assembleia de Deus vem entrando nesse campo e aceitando porque nossos queridos pastores – (pastor que eu digo não é ter o título, é o homem conduzir o rebanho. Então o irmão venha entender que eu não estou falando do pastor porque tem o título e a carteira de pastor, mas o homem que Deus colocou à frente do rebanho segundo o Novo Testamento) – não ministra a doutrina. Ensinar, não tem tempo. Eu não estou querendo dizer que o pastor faça isso sozinho, é claro que não faz. Uma igreja quando tem dez membros, quinze membros, o pastor consegue fazer muita coisa, mas quando tem cem, quinhentos, mil, dez mil, é claro que Deus dá para ele uma equipe imensa. Agora eu pergunto: “Quem são esses homens e mulheres que estão ajudando o pastor?” Então, o movimento neo-pentecostal é um desvio da doutrina da Bíblia.
Uma coisa que ajuda na resposta: por que eles se desviaram? – Falta de ensino doutrinário na igreja. É só pular, cantar, falar em buscar o batismo, falar em línguas, etc. E a doutrina bíblica que é a doutrina que equilibra? Então oremos para que eles voltem.
Nós estamos entrando pelo mesmo caminho, porque o movimento neo-pentecostal, do dia para a noite, enche os templos. Mas encher de quantidade, não é encher de qualidade! Deus quer o templo cheio! Mas, como é que um templo se enche pela quantidade? Através da conversão! E como é que um templo se enche através da qualidade? Pelo discipulado! Mas vejamos, nós não temos tempo para ministrar discipulado. O rebanho cresce e muita gente pensa que discipulado é ter um grupo de pessoas que se reúnem certos dias, mas discipulado, aquele que Jesus disse “ide e fazei discípulos”, é algo maravilhoso. Então nós temos milhões e milhões de abandonados, crianças abandonadas nas igrejas (criança que digo, é no sentido espiritual). Fala-se tanto, a prefeitura, Vila Velha, o Brasil, “menor abandonado, menor abandonado”, e na igreja menor abandonado é uma coisa horrível (menor abandonado que eu digo, é na fé). Os irmãos se recordam daquele brado do salmista Davi quando disse “ninguém cuidou da minha alma”. Aquilo dói na alma da gente. Como é que Davi escapou? “Ninguém cuidou da minha alma”. Então, do lado de cá nossa culpa é ministrar a doutrina, porque é difícil, é difícil. A doutrina todo mundo sabe que não é fácil. Não existe uma só doutrina organizada, catalogada como de A a Z, mesmo a mais simples, desdobrada, ou seja, é preciso à pessoa com graça, unção e sabedoria, coligir, reunir, orar, jejuar e horas e horas a sós com Deus. Então o resultado está aí, o movimento neo-pentecostal ganhando tempo em nosso meio, e nós da Assembleia de Deus (a Assembleia que eu digo é a igreja ortodoxa) acabamos sofrendo com isso.
Então essa a minha resposta pode ajudar o irmão depois a passar um filtro, mas, neo-pentecostal (nome bonito: neo-pentecostal) movimento pentecostal novo, nada, desvio! Eu inclusive tenho dado aulas lá a pedido deles, pelo menos lá no Rio de Janeiro, ministrando estudos algumas vezes, mas é difícil devido o tempo. São pessoas conhecidas. Mas nós estamos absorvendo, ou seja, no passado, vinte, cinquenta anos atrás, eram eles que vinham a nós pedir ajuda, batistas que eram batizados, presbiterianos que recebiam o batismo, hoje somos nós que vamos beber lá. Deus tenha misericórdia de nós. Os irmãos não pensem que eu estou dizendo que a Assembleia de Deus é a única igreja certa, a Assembleia de Deus não é uma igreja, é uma denominação. Igreja que eu estou falando é a igreja do Novo Testamento, lá de 1 Co 12.
Renovação e Inovação são palavras parecidas, mas com significados diferentes dentro da visão pentecostal. Qual a correta definiçãos dos termos, para esclarecimento da nova geração de obreiros, líderes e crentes em geral?
Eu confesso, não é correto dizer isso, “dentro da visão pentecostal”, eu sugiro que esse termo seja trocado. Não existe visão pentecostal, existe visão escriturística dentro da visão pentecostal. Irmão Gilberto, por quê? Porque a igreja do Deus vivo, a igreja dos primogênitos, é aquela de Atos capítulos de 1 a 28. Igreja do Senhor.
Por que chamam a gente de pentecostal? Devido o fato de Deus ter despertado a igreja lá pelo século XVIII e XIX, e começou aquele movimento entre os metodistas lá na Inglaterra, depois passou para a América, em 1850, 1870 e foi aumentando, em 1880 eles começaram a jejuar e sentir fome de mais poder e quando o século virou Jesus começou a batizar entre os metodistas. Era coisa nova, batizar, batizar, como é que vamos chamar? Chamaram primeiro de Movimento da Santidade (Holiness Movement) e etc. Até que em 1901 começou a formar um grupo e depois surgiram outros (Apóstolos da Fé). Mas isso é coisa local, em Atos dos Apóstolos é a Igreja como tal.
Prosseguindo, renovação e inovação são termos opostos. Renovação (renovação é claro, espiritual) é a pessoa ser libertada por Deus (Deus usa os instrumentos que Ele quer) e a pessoa buscar o cristianismo bíblico. E onde está esse cristianismo bíblico? No sentido público, de Atos 1 a 28. Graças a Deus pelo livro de Atos. E daí para frente lá se vai principalmente de Romanos até o livro de Judas. Então renovação é algo maravilhoso. Renovação é para quem envelheceu, caiu na rotina, o que é um perigo. Nossos irmãos batistas, presbiterianos, são uma benção de Deus, a gente os ama, mas o que aconteceu com eles, coitados? Rotina, eles caíram na rotina. Quem é que aguenta rotina? Feijão com arroz todo dia, arroz com feijão todo dia, rotina. Não, rotina não minha gente! Então, renovação, todo crente normal precisa viver uma vida renovada. Por que irmão Gilberto? Porque envelhece, espiritualmente falando. E como que acontece isso? O Espírito Santo tendo predominância. E inovação? A inovação, Deus nos guarde! Inovação são modismos descabidos, que surgem na pessoa, passam para a família, passam para a igreja. Por causa de que? Falta de conhecimento doutrinário ungido da parte de Deus. Porque a doutrina é viva, a doutrina tem poder vivo. Então a doutrina é a base fundamental da igreja. Naquela manhã que estivemos junto com os colegas lá no templo, eu li Atos 2.42, bem no princípio do livro de Atos: “e perseveravam na doutrina”. Muita gente pensa que doutrina é conversa fiada, quando o termo que está ali, o termo que o Espírito Santo usou (que às vezes é traduzido diferente) é conteúdo bíblico normativo, conteúdo bíblico normatizador. Pronto, eu estou de parabéns, é isso que eu preciso! Eu preciso, usando uma linguagem secular, de um estatuto, um regimento interno, usando uma linguagem figurada, como é uma empresa, um estado, um país, constituição. Então o que é doutrina? Doutrina é um ensino bíblico normatizador. Nem para a direita nem para a esquerda, sempre permaneciam perseverando na doutrina dos apóstolos. É uma pena que aquilo não continuou. Os irmãos se lembram de que a igreja de Corinto se desviou, inclusive deu problemas, problemas, problemas, e quando chega ao capítulo 15 o que Paulo diz? Muitos de vocês não são salvos. Está lá escrito, infelizmente muitos de vocês não são salvos. Mas não é novidade, porque o Senhor Jesus…, se lembra de João capítulo 2, quando Jesus disse: eu não confio em vocês, vocês estão crendo naquele milagre que aconteceu em Caná, mas não confio. O próprio Jesus não confiava neles, está escrito. E eram crentes. O próprio Jesus não confiava neles, é uma pena! Então, a doutrina é a chave. Agora, é claro, a doutrina não é feito um “b – a – bá”. Mas a doutrina é ungida, a doutrina é inspirada pelo Espírito Santo, tem poder.
Então, renovação, Deus envie sobre nós, busquemos a renovação. Agora inovação, Deus nos guarde. Sim, mas lá, do dia pra noite enche. Encher de quantidade não é encher de qualidade. Deus conta primeiro não é com quantidade. Quantidade é uma benção. Não sou contra! Quem é contra isso? Mas quantidade com qualidade!
Irmão Gilberto, como é que se enche uma igreja de quantidade correta? Conversão, conversão genuína. E como é que uma igreja enche de qualidade? Conversão com discipulado, ou seja, doutrina.
Um assunto polêmico, cujo debate já dura por décadas, é o ministério pastoral feminino. Hoje algumas Assembleias de Deus já reconhecem a ordenação de mulheres. Existe respaldo bíblico-doutrinário para isso?
Não, não e outra vez não! Não existe! Ordenação… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. E como é que isso está acontecendo? É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres. O apóstolo Paulo que é um paradigma, não separou, nunca ordenou mulheres. Agora, mulheres trabalharem no Santo Ministério, tanto venham. Cantoras, professoras de escola dominical e etc. Mas irmão Gilberto, e diaconisa? Lá no livro de Romanos o apóstolo Paulo disse que aquela irmã era diaconisa na igreja de Cencréia. Onde está isso no original? Não existe! Sim, mas o comentário que eu li diz que era diaconisa. Conversa! No grego está na forma masculina, ou seja, Paulo deixou aquela mulher ali provisoriamente, ou então o trabalho era novinho e não tinha homem nenhum para exercer o diaconato, ele disse vem cá “fulana” (Febe), faz o trabalho aqui, a obra de Deus não pode parar por causa de problema humano. Está no masculino.
Uma vez um pastor presidente de uma grande e renomada convenção, nós estávamos juntos em Goiânia ministrando, e ele no hotel conversando comigo, disse: “estou agora na presidência, vou incentivar, irmão Gilberto, o diaconato das mulheres que está praticamente parado. O que o irmão diz?”
- Eu prefiro primeiro que o senhor que é o chefe, me dê alguma coisa.
Ele disse: “eu me baseio lá em Rm 16, Febe, aquela irmã que era um tesouro na igreja de Cencréia (inclusive quando os irmãos forem a Grécia visitem as ruínas de Cencréia. Eu fui lá visitar, só tem ruínas, e eu fiquei pensando onde é que ficaria aqui a casa dela, porque tudo indica que era uma mulher de muito dinheiro. Paulo disse: “ela me hospedou muitas vezes, e hospedou a muitos”), que era diaconisa, a Bíblia em português diz: que serve ao Senhor na igreja de Cencréia, outra versão que eu tenho diz que ela servia como diaconisa”. Eu me calei, e ele disse: “uma segunda passagem, irmão Gilberto, que eu tenho em mente é lá em Timóteo quando a Bíblia diz: e as mulheres…”
Eu disse: Pastor, a passagem de Romanos no original está no masculino, pode pegar qualquer manuscrito bíblico. Ou seja, ou o trabalho era novinho e não tinha homens habilitados, e o apóstolo Paulo um homem cheio do Espírito Santo, a obra de Deus não ia parar por causa de problema humano. Vem cá, Febe, exerce aqui enquanto não se prepara um homem, ou então não sei a razão, a Bíblia não explica, mas está no masculino.
“E lá em Timóteo?”
Pode pegar o termo original que a oração no grego pára, e quando diz as mulheres, são as esposas dos obreiros. Ele parou, e parou até hoje.
Voltando a pergunta, o que o irmão diz disso? É anti-bíblico. E o que fazer? Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros. Enfim, a igreja que tomou a decisão, não é a Bíblia.
Batismo em águas: tem igreja que a pessoa se entregou pra Jesus, foi perdoada ali mesmo, foi convertida, batiza na água. Tem igreja que diz: “Não, aqui pra ser batizado tem que fazer um cursinho”. Lá na minha igreja, por exemplo, tem um cursinho de três meses, onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide!
Realização de matrimônio, esse caso é mais um, só que este é grave.
Então, em resumo, não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso.
Qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade?
Em primeiro lugar, o que é pós-modernidade, no sentido bem popular? É o predomínio do humanismo, (não estou falando de humanitarismo, estou falando de humanismo). E o que é humanismo em filosofia? É o homem ser o centro e Deus jogado fora. É isso que o mundo, inclusive o Brasil vive. E como começou isso? Começou há décadas, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Então não é o humanitarismo, porque este é uma coisa maravilhosa, eu estou falando de humanismo. E o que é humanismo, onde está na Bíblia? 2 Timóteo 3, está bem claro isso lá, como sinal da vinda de Cristo. O homem passa a ser o centro de tudo e Deus na periferia jogado fora. E pode ver, a sociedade chegou nesse ponto. Nem na igreja Católica, eles vão à missa só pra marcar ponto, nem sabem quem é o vigário, acabou. A igreja Católica hoje vive somente de forma.
Então qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade? Pós-modernidade é um movimento filosófico de inspiração satânica que começou logo depois da Segunda Guerra Mundial, por volta do ano de 1947.
E qual é a filosofia? O homem é o centro de tudo. Pode-se ver, colégio, faculdade, fábrica e tudo. E Deus? Jogado fora, nem é mencionado.
E no passado? Não, no passado pelo menos em teoria, hoje nem em teoria. E o que é que diz a Bíblia lá nas epístolas? Moralmente o mundo irá de mal a pior. Tecnicamente não. Quem é que não sabe que tecnicamente o mundo está se tornando uma maravilha? São satélites, computadores, é uma benção. Mas moralmente, irmãos queridos, não vai mudar, vai piorar. Mas essa nova geração, e escola, e programas do governo, as associações? Não dá em nada, a Bíblia diz, irá de mal a pior. Em que sentido? Moralmente. Graças a Deus que a igreja está na terra pregando o Evangelho, só que a igreja tem que tomar cuidado pra se manter renovada, e isso custa um preço porque o humanismo, ou seja, o pós-modernismo tomou conta da sociedade e principalmente da juventude. Deus tenha misericórdia da juventude! O irmão Edenin Pontes Neto tem 22 anos, essa idade é difícil. Então um jovem como o irmão, na igreja, devemos levantar as mãos não sei quantas vezes para o céu e louvar a Deus.
Quando eu estive na Escandinávia, pouco tempo em viagem de pesquisa, mas ninguém sabia, os irmãos sabem que foi a Escandinávia que evangelizou a América do Sul, muita gente pensa que foi só o Brasil, na época eles mandaram missionários também para a Argentina, Peru, Chile, Colômbia, nós somos brasileiros destacamos o Brasil. Os irmãos sabem disso, que vieram da Escandinávia, da Suécia, da Finlândia, da Noruega. E vejam, claro que eu estou repartindo isso porque os irmãos são obreiros, se fossem novos convertidos eu não compartilharia isso. Na nossa despedida lá, o pastor da Igreja Filadélfia, pastor Scott, nome bem difícil dele, um pastor ainda bem jovem, disse:
- “irmão Antônio Gilberto, eu gostaria de saber como será sua volta”.
Eu disse: “eu tenho que pegar um vôo às 16 horas para Berlim e preciso estar liberado, enfim, até a hora do almoço”.
Ele disse: “Olha, eu vou convocar hoje à noite, domingo, o ministério pra uma despedida, com um café, uma palavra da parte do irmão”.
Eu falo um pouquinho de sueco, era pra falar melhor, mas a gente perde o controle. O sueco é muito parecido com o inglês, o finlandês é mais parecido ainda. Bom, veja só o que aconteceu: no momento certo eu estava numa sala muito bonita, aproximadamente uns 60 homens e mulheres, diáconos, etc. Eu compartilhei um texto bíblico, ele apresentou os obreiros que eram obreiros-chave, logo em seguida ele disse:
- “Meus irmãos, o irmão Gilberto ele precisa se organizar para viajar, agradeço os irmãos por terem vindo, tiramos foto, agora eu dispenso os irmãos, por favor, deixem o recinto calmamente”.
Ele chegou pra mim e disse:
- “Irmão Gilberto, eu preciso, eu e minha esposa que está aqui, ficar alguns minutos com o irmão antes do irmão ir para o hotel”.
Então os obreiros se despediram, nos abraçamos ali, tiramos fotos e foram embora. Logo que saíram, ele disse:
- “Vamos para o meu gabinete”.
E quando chegamos lá no gabinete ele disse:
- “Olha irmão Gilberto, fomos nós”. Ele disse isso com os olhos lacrimejando e com a voz embargada.
- “Irmão Gilberto, o irmão bem sabe que fomos nós que no século passado, a Escandinávia, principalmente a Suécia, que Deus abalou o país, batizou com o Espírito Santo levantou aquela igreja poderosa e uma das primeiras coisas foi mandar missionários, e missionários para o Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren e dezenas de outros”.
Deus os abençoou que levantaram aquela obra no Brasil e depois vieram os missionários americanos, enfim. Aquilo me doeu. De fato nós estamos pecando.
Ele disse isso comovido:
- “A gente nota irmão Antônio Gilberto, ida e volta de obreiros do Brasil pra América, para o Canadá e nós aqui abandonados”. Então com lágrimas nos olhos ele disse: “Venham nos socorrer!”
Aquilo me doeu, eu não agüentei e chorei também. “Venham nos socorrer!” Mas, meu irmão em que sentido?
Ele disse: “Jejuem por nós, jejuem por nós, morram por nós num certo sentido”.
Está difícil a situação na Escandinávia. Agora o pós-modernismo está uma maravilha lá, entre aspas. Então, irmãos, significa que Jesus está voltando. Isso serve para gente botar as barbas de molho.
Há uma afirmação de que a igreja evangélica brasileira está cansada, o que ocasiona mudanças de paradigmas em relação aos modelos tradicionais, e leva muitos crentes ao abandono do convívio fraterno, substituindo-o por um modelo de vida cristã alternativa. Como o senhor avalia essa situação?
Falta de um avivamento espiritual de acordo com o livro de Atos. Vamos buscar um avivamento de acordo com John Edward? Não! Vamos buscar um avivamento de acordo com “Fulano de tal”? Não! Um avivamento segundo o Livro de Atos do Apóstolos!. Aonde? Capítulo 2, 8, 13 e 19, o livro de Atos. E aquele avivamento de John Edward? Aquilo foi para aquele tempo. Não vamos copiar modelo dos outros. Então a resposta aqui é uma só: um avivamento! Agora, um avivamento com base na doutrina, se não ele pode descambar para a direita. Os irmãos já notaram que sempre que a Bíblia previne sobre desvio, e não tem nenhum texto contrário, sempre que a Bíblia alerta sobre desvio, cuidado com o desvio para a direita e depois para a esquerda?
A Bíblia nunca diz primeiro para a esquerda. Nós fizemos um levantamento criterioso disso à luz do texto original e só tem 11 vezes na Bíblia. Só tem 11 vezes Deus dizendo: cuidado com o desvio para direita e depois para esquerda. Deus nunca diz primeiro esquerda. Não!
E o que é desvio para direita? Desvio para o lado certo, ou seja, exagero, fanatismo, torcer a verdade bíblica, pegar as escrituras e adulterar. Isso arrasa a igreja. Nós estamos tendo essa dificuldade. Essa igreja que eu fui ministrar lá no RJ, neo-pentecostalista, meu Deus! Desvio total. Eu estava ministrando, já do meio para o fim do estudo bíblico, quando um homem se levantou no auditório, começou a pular e profetizar. O pastor que me convidou disse: “irmão Gilberto, me dê licença”. Pegou o microfone e disse: “irmãos diáconos vão lá e mandem esse homem parar!” Os diáconos correram lá e o homem se revoltou, inclusive pegou uma cadeira, levantou e pulou com a cadeira. Aí uma irmã se levantou e disse: “é o espírito, é o espírito!” O pastor disse: “Mas não é o Espírito do Senhor!”.
Olha, levaram uns 5 minutos para ele acalmar. Arrancaram o homem e o levaram de quatro pés lá para o lado de fora. Avivamento… Levaram o homem de quatro pés, seguram nas duas mãos e nos dois pés. E a irmã? Disse o pastor: “Diaconisas venham depressa!”
As irmãs vieram, seguraram a saia dela, saia muito curtinha, e a levaram de quatro pés lá para não sei aonde.
Avivamento… Devido o que? Desvio para direita. O desvio para direita é pior que desvio para esquerda.
O que é desvio para esquerda? Desvio para pecar. Esquerda é o lado do erro. Deus nunca diz: Cuidado com o desvio para esquerda e depois direita. A Bíblia sempre diz… Se lembram de Josué? Josué, não te desvie nem para direita nem para esquerda. Então nós temos que ter cuidado com isso, avivamento é uma benção de Deus, mas um avivamento bíblico, se não pode desviar para direita.
O senhor afirmou, durante o seminário, que a família está fragilizada. Qual a conseqüência disso para a igreja e como revitalizar a família?
Os irmãos sabem o que é fragilizada? É uma coisa que se quebra com facilidade. Se não for dado um jeito nisso, ele se fragmenta. A família dentro da igreja – fora da igreja, Deus tenha misericórdia – está fragilizada. E qual é o passo seguinte se não houver uma providência Divina? Fragmentar a família. Sabe o que é fragmentar? Virar pedaços. E o qual é o terceiro passo? Ruína. Onde está isso na Bíblia? Lucas 17, quando Jesus alertou. E onde está mais sobre isso? 2 Timóteo 3, está bem claro isso. Lá no final diz: “proibindo o casamento”. Então a igreja vive este tempo, ou seja, em suma, busquemos a renovação, busquemos o avivamento.
Agora, doutrina é a chave: “permaneciam na doutrina dos apóstolos”. Então, os irmãos sabem que isso dói, porque a família é sagrada. Meu Deus, a família é a chave de tudo. De onde vem o governo? De onde vem o município? De onde vem o operário da fábrica? De onde vem o membro da igreja? De algo maravilhoso chamado família. E quais são os dois esteios da família? O marido e a mulher, a mulher e o marido, são os esteios.
O que o senhor diz da igreja brasileira em face da atual política governamental?
Voltar ao Livro de Atos dos Apóstolos! Como assim? O livro de Atos está repleto de políticos, mas fora da igreja. Nada de mandar na igreja. Lá está o nome de Cláudio, lá está o nome de Festo, lá está o nome de Herodes, o nome de Agripa. Todos eles eram grandes políticos, mas nada de se meter na igreja, ou seja, não deve haver intervenção, intromissão com político e político na igreja pra mandar. O livro de Atos está repleto de políticos, só que no seu lugar e a igreja no lugar dela. Hoje em muitos lugares estamos vendo a mistura. O livro de Atos é o nosso modelo. Lá está Cláudio, César, está Festo… Inclusive o caso de Festo! Por falar nisso, irmãos, é uma coisa terrível, porque ele veio com Berenice, quando veio para comparecer diante de Paulo. Ele veio com sua esposa Berenice. Os irmãos sabiam que Berenice era irmã carnal dele? Vejam como estava o mundo romano! Berenice era irmã carnal e ele vivia com ela e ela com ele como marido e mulher. É pavoroso! A Bíblia não diz isso porque a Bíblia não tem nada haver. Mas quando o irmão pesquisa nos anais, como eu pesquisei em Roma… Irmãos carnais, ele largou a mulher com quem ele tinha casado e se juntou com a própria irmã e apareceu perante Paulo. Terrível, terrível!
Voltando a pergunta… Políticos na igreja? Bem dito seja Deus. Nos cultos, como membro da igreja, tudo bem, agora se imiscuir, não, não, não!
Para ilustrar isso aqui, eu cheguei a mencionar que eu tive um convite, muito honroso de ministrar para os executivos da grande empresa de cimento, a Votorantim. Os irmãos sabem que a Votorantim é uma potência, aqui no Espírito Santo deve ter sucursal, escritório. A Votorantim é magnata, imaginem o privilégio! Eles mandaram um ofício para a Convenção Geral e caiu nas mãos do Pr. José Wellington, nosso presidente, para ele designar alguém para ministrar numa palestra religiosa de 50 minutos, na reunião nacional dos executivos, numa cidade do Rio de Janeiro chamada Friburgo, onde fica uma das grandes fábricas deles. O irmão Wellington ligou pra mim, eu disse: “irmão Wellington por que o senhor não vai?” Ele disse: “Eu não vou nada. Gilberto, você aceita?” Eu disse: Só se eu receber pormenores e o senhor orar por mim. Ele disse: “A gente ora!” Concluindo, eu aceitei e então o secretário da empresa entrou em contato comigo e disse: “A primeira coisa que pedimos, por obsequio, é o senhor enviar o seu currículo, é norma”. Está bem, eu não gosto de mandar para ninguém, mas eu envio. Eu enviei meu currículo. Ele disse: “Segunda coisa, desde agora o senhor está com motorista e carro a sua disposição, é seu. Se o senhor quiser vir de helicóptero, nós temos, pegamos o senhor, levamos em casa. Mas se o senhor quiser vir de avião, daqueles jatos de dois motores, aqui tem aeroporto, tem tudo. O senhor pode trazer sua família. E outra coisa, o senhor quer hotel de cinco, quatro ou três estrelas?” Eu disse que não faço questão de estrelas, contanto que seja bonzinho. Resultado: fomos lá para a reunião e quando completaram os 50 minutos, o mestre de cerimônia (o MC), me chamou a parte e disse: “O auditório está pedindo se o senhor pode prorrogar meia hora mais?” Eu fiquei surpreso. Ele disse: “O auditório está pedindo se o senhor pode prorrogar a palestra por mais meia hora?” Eu disse: Poder, eu posso. Mas eles não vão se cansar? Ele disse: “São eles que estão pedindo! Segundo, o auditório, os executivos estão perguntando se é o possível o senhor responder perguntas?” Eu disse que perguntas já é fórum, e o convite que eu tenho aqui é uma mensagem religiosa. Ele disse: “Está certo, deixe comigo que eu dou a resposta para eles”. Eu digo então, perguntas já é um fórum, eu não me nego se eu souber, mas misturar… Ele disse: “Está certo, o senhor é pastor, deixe comigo”.
Voltando… A que ponto quero chegar? Quando terminou tudo, foi servido um coquetel. O executivo chefe me chamou num canto e disse: “Isso aqui não é um pagamento, ao contrário, isso aqui é um honorário”. Foi uma benção de Deus, Yolanda pulou de alegria. Porque foi um bom dinheiro e eu estava com alguns problemas de aperto financeiro, inclusive um seminário que eu precisava participar na Alemanha e a coisa estava feia, porque a moeda de lá é o Euro e o Euro não é fácil, dói na gente, pois a gente pega um tanto de Real e quando cambia fica pouquinho… Eu agradeci. Aí ele já veio para o lado de fora, com a cúpula dos executivos e disse: “Senhores executivos, setor do Maranhão, setor gaúcho, etc. Senhores executivos, ouçam bem o que nós vamos dizer agora. O reverendo já está saindo, indo embora. Os senhores se lembram de que até agora quem fazia esse trabalho era padre. Todo ano vinha um monsenhor ou um bispo, só, reverendo, que eles só falavam aqui de política. Só vinham falar de política e filosofia. Chega! Política nós temos, filosofia nós temos. Aqui está o doutor ‘Fulano’ que é catedrático de ‘não sei do que’. Reverendo, não dá! Então nós resolvemos mudar agora e chamar um pastor”. Eu digo, como é que estão as coisas na face da terra? Incrédulo mudando. Eu digo, gente isso é uma lição para nós. A gente às vezes não quer mudar nada quando é hora de mudar. Ele disse: “Resolvemos mudar, porque todo ano é um bispo, um arcebispo, um monsenhor. Só reverendo, que ultimamente eles só vinham falando de Planalto, Brasília, ONU, política, etc. E nós queremos é alguma coisa para nossa alma!” Eu lá dentro de mim eu dei um glória a Jesus e ainda falei algumas línguas em segredo, eles viram os lábios se mexendo, mas eu segurando as línguas ali no espírito. E de fato, este ano o convite foi feito para a igreja presbiteriana e quem foi lá este ano foi o reverendo Estevão. Mas vejam como que está o mundo, o mundo pedindo socorro à igreja. Agora eu pergunto, nós temos o pão pra dar? Graças a Deus!
Que mensagem o senhor deixa para os crentes capixabas, diante da crise de identidade vivida nos últimos dias?
A última mensagem que deixo é que nós precisamos realizar retiros espirituais, realizar reuniões da porta para dentro das igrejas, só para o rebanho do Senhor, para essa finalidade de oração, de estudo da Palavra, de concentração com o fim de buscar de batismo com o Espírito Santo. Mas batismo genuíno! Pois muita gente não busca porque acha que não precisa, quando o batismo com o Espírito Santo, os irmãos sabem, que é uma dádiva tão preciosa que Jesus disse para ficar lá até receber. Mas também quem é batizado, renovar-se, renovar-se, renovar-se! É a nossa mensagem. É a mensagem de Atos. Renovação, renovação espiritual. E concluindo, eu deixaria também para o programa, em Romanos 15.29, onde Paulo disse: “eu vou a vocês, até Roma, só que eu vou pregar o evangelho completo”. Ou seja, que Jesus salva, que Jesus cura, que Jesus batiza, que Jesus renova, que Jesus vem outra vez. Ele disse, “eu vou a Roma sim, só eu vou levar o evangelho pleno”.
Que Deus nos conceda viver o evangelho pleno. Em Romanos 15.29 ele disse: “Eu vou a Roma levando o evangelho pleno”. O evangelho que não é pleno, ele é uma benção, ele abençoa. Mas o evangelho pleno, ele é maravilhoso.
Quem é o pastor Antônio Gilberto?
Eu sou membro da Igreja Assembleia de Deus no Brasil (em Cordovil/RJ). Pela graça de Deus, salvo por Jesus. Ele por sua graça, além de me salvar, me trouxe para o Santo Ministério e nele tem me usado. Mas toda honra, glória, louvor e mérito é dEle e só dEle. E por sua graça Ele também me deu uma esposa (Irmã Yolanda) paciente, compreensiva, que coloca o ombro debaixo da carga e geme sozinha. Eu chego muitas vezes, às vezes a noite eu venho de certos compromissos, lá está ela sentada ou ajoelhada ou em pé orando, orando, orando. Portanto 75, 80, 85 por cento do que eu faço para Deus, eu devo a Deus através dela. Mas eu sou um servo, os irmãos sabem que duas maravilhas na vida do crente, duas grandes maravilhas, é que o crente primeiramente é filho. Filho de Deus só tem um tipo, ou a pessoa é ou não é. Não existe neto, Deus não tem neto. Deus só tem filhos. E em segundo lugar, servo. Filho de Deus só existe um tipo. Mas tem muito tipo de servo, inclusive tem o servo mal e lá no livro de Isaías 42 tem servo cego. Meu Deus! Está lá escrito. Então Deus tem tido misericórdia e nos tem feito filho e servo.
Algumas outras coisas que são seculares, que qualquer pessoa tem. Algumas faculdades. Alguns idiomas. Mas isso é coisa normal que todo mundo pode fazer. Mas a grande maravilha é que eu sou filho, como os irmãos também são filhos. Não são netos, nem afilhados, filhos de Deus! E a maravilha? Ser servo!
Eu agradeço esse privilégio da entrevista e lhe peço o obsequio do irmão editar e, por favor, coloque isso em cinco minutos. (rs) – “As perguntas são muito bem feitas, muito abrangentes. Cada pergunta dessas merecia uma entrevista à parte”. Pr. Antônio Gilberto

quinta-feira, 3 de maio de 2012

E ai...........Mulher no Ministerio

MULHER NO MINISTÉRIO

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Santos, SP, Brazil
Pastor Presidente AD Santos, Pedagogo pela UNOESTE e Teólogo pela UFRR, Militar Federal RR1, 2ºTesoureiro da CONFRADESP, Membro Conselho Educação CGADB, Ex Vereador em P.Prudente Ex secretário Parlamentar Congresso Nacional.

Em Romanos 16.1 Paulo faz questão de recomendar Febe que é diaconisa na Igreja em Cencréia. No grego a palavra é diaconisa, mas o sentido é diaconisando a Igreja. Não aparece a palavra dulos, que é uma serva que trabalha na Igreja. Mas uma mulher que exerce o diaconato. Em 1 Tm 3.9 Paulo diz: os Diáconos sejam honestos, não cobiçosos, nem de duas palavras , nem dado a vinho. No versículo 11 diz: Da mesma maneira as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. Aqui Paulo se reporta as mulheres Diaconisas e não esposas de diáconos, pois, se assim fosse ele falaria das esposas dos Presbíteros. Na Igreja primitiva mulheres judias já administravam a filantropia na Igreja, daí que foram escolhidos 7 homens judeus influenciados pela cultura grega.

No tempo de Jesus havia 900 Sinagogas que eram administradas pelos parnasim (hebraico) e na transição para a Igreja passou a usar o termo Diácono. Mas esta palavra que significa mordomo, ou seja, um servo que administra os bens do seu patrão e não dulos, que é um servo comum, passou a significar muito para a Igreja primitiva. Ele administrava as bênçãos espirituais do evangelho pentecostal. Veja que os diáconos eram cheios do Espírito, se destacaram mais do que alguns Apóstolos, portanto eles exerciam cargo de liderança.

Felipe era Diácono, ganhou Samaria e batizou o Eunuco da Etiópia. Então o Diácono daquela época exercia a plenitude do ministério. Diferente do Diácono hodierno local que apenas faz segurança e recolhe oferta. Febe dirigia a Igreja em Cencréia. É fato que a mulher na cultura judaica era discriminada. Os rabinos da escola de Hilel acreditavam que mulher não tinha alma. A oração do Fariseu que era influenciado pela escola de Hilel começava assim: te dou graças Adonai, porque não nasci gentio, nem mulher.

Essa transição do Antigo Testamento para o Novo desencadeou mudanças profundas na Igreja, pois os costumes judaicos que estavam incrustados foram removidos pela pregação de Paulo. As mulheres passaram a ter mais autonomia. Até porque Jesus havia iniciado esta autonomia no seu ministério.

Até a poligamia que existia na Igreja primitiva passou a ser rechaçada, mas isso foi um processo lento, de transição. Veja que Paulo recomenda o exercício do ministério a obreiros que tenham uma só mulher, se casado, marido de uma mulher. No Novo Testamento a recomendação a partir daqui é para praticar a monogamia. Até nisso a mulher passou a ser valorizada, já que a poligamia da época só permitia várias mulheres para um homem, diferente da poligamia entre os Ianomâmis do Brasil que praticam a poligamia inversa de uma mulher casada com 3 homens na mesma oca.

Os evangelhos falam de doze discípulos, mas Lucas faz questão de mencionar um colegiado de discípulos em número de setenta, talvez por ser o evangelho do homem, cujo foco está centrado na humanidade do Salvador e 70 fala da humanidade representada nas setenta nações de Gênesis. Mas neste grupo de 70 discípulos aparecem as mulheres Suzana, Joana, Maria madalena e outras que o acompanhavam no ministério. (Lc 8.1.) Essas mulheres foram arrojadas no exercício do ministério. Algumas delas não abandonaram o Salvador na cruz, enquanto os discípulos se acovardaram e se esconderam, com exceção de João e a mãe de Jesus.

A primeira pessoa no Novo testamento que anunciou o evangelho em Samaria foi uma mulher. Depois veio Felipe, mas a cidade já conhecia a pregação da mulher do poço de Jacó.

A primeira pessoa a visitar o sepulcro e esperar pela ressurreição foi uma mulher, daí que Jesus ao ressuscitar apareceu primeiro a mulher. Os discípulos não foram esperar a ressurreição, só depois da notícia, e mesmo assim ficaram em dúvida porque a notícia vinha pela boca de mulher.

O Novo Testamento deixa a impressão de que a mulher tem uma inteligência religiosa superior a dos homens. Não confundir com a intelectualidade do conhecimento bíblico teórico. Jesus nunca disse para um homem, grande é a tua fé, mas disse para a mulher Siro-Fenícia: O mulher, grande é a tua fé, seja feito conforme a seu pedido.

Dorcas fundou uma associação beneficiente na Igreja primitiva como isca para ganhar milhares de pessoas. A mãe de Marcos ofereceu sua casa para sediar a Igreja pondo sua vida em risco. Priscila e Aquila expuseram suas vidas em risco evangelizando em Corinto junto com Paulo e ali fundaram a Igreja.

Dionísio e Thamires se convertem em Atenas e se tornam lideranças na Igreja da Grécia, segundo a tradição da Igreja. A própria tradição da Igreja medieval afirma que Maria Madalena foi Bispa no II século.

Paulo recomenda que a mulher não fale na Igreja em Corinto para não se confundir com o templo de Afrodite, deusa da sexualidade que habitava em Corinto. Ele chega afirmar que nesta cidade seria indecente a mulher falar na Igreja, no grego está imoral, por conta da deusa Afrodite.

Em Rm 16.7 Paulo diz: saudai a Andrônico e Júnias que se destacaram entre os apóstolos. O apostolado era um dom ministerial que a pessoa desbrava o evangelho numa região ainda não alcançada. Não que houvesse o cargo de apóstolo, mas o dom ministerial. O próprio Paulo que fora influenciado pela escola de Hilel e sendo ele ex- fariseu escreveu aos Gálatas 3.28 dizendo : para Deus não há servo ou livre, macho ou fêmea. Deus não faz acepção de pessoas. Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.! Cor. 11.11,12.

Quando a benção do matrimônio bíblico está sobre o casal, a mesma unção que está no homem, vai para a mulher, pois ambos se tornam uma só carne. A menos que a mulher não queira exercer ao lado do seu marido a função de aconselhar, agregar, abençoar, dar atenção aos necessitados, orar, ministrar a palavra, expulsar demônios, curar os enfermos, apaziguar, e a tolerar os espinhos que permeiam o ministério do marido. Caso ela queira exercer o ministério ao lado do marido, ela já tem a unção do matrimônio que une dois em um.

Quanto a ordenação de mulher ao presbitério, realmente não há citação bíblica, nem relato que tenha ocorrido. Até porque o cristianismo nasceu no berço do judaísmo e emprestou muitas palavras e adaptou outras. Por exemplo, o presbítero na Igreja primitiva era o ancião do judaísmo, ou um rabino do Sinédrio judaico composto pelo número de 70 para dirigir o judaísmo e as questões sociais, políticas e religiosas. Como no judaísmo jamais a mulher poderia compor o Sinédrio, a Igreja primitiva não ousaria incluir a mulher tão cedo no ministério, mas na prática as mulheres do Novo testamento se destacaram exercendo todos os dons que os homens exerciam.

Maria foi um instrumento de Deus para trazer o salvador ao mundo sem ajuda do homem. A mulher que quebrou o vaso de perfume valioso teve a aprovação testemunhal e Universal do Senhor Jesus, pois ele disse: esta mulher praticou o mais nobre ato de bondade e misericórdia, pois fazendo isso ungiu meu corpo para ser oferecido ao mundo e por onde for pregado o evangelho na história do mundo será feito referencia a ela.

Não há relato na bíblia que uma mulher tenha sido ordenada a pastora, como também não há relato bíblico que algum homem tenha sido ordenado a pastor. Não existe na bíblia ordenação a pastor, já que pastor era um dom ministerial conforme Ef. 4.11. Pedro estava idoso e escreveu sua carta dizendo que era um Presbítero, portanto o presbítero era o mais alto cargo ministerial. (I Pedro 5.1) Este presbítero podia exercer o pastorado se tivesse vocação para isso, ou exercer o magistério bíblico, ou exercer o apostolado, ou exercer como evangelista, ou profeta. Profeta aqui não é aquele que tem os dons espirituais de profecia. Mas aquele que prega com autoridade de um profeta, usado por Deus na revelação da inspiração bíblica.

Não há relato que alguém tenha sido ordenado a evangelista na Bíblia, nem homem, nem mulher. Mas há relato que alguém tenha sido enviado como evangelista como Barnabé e Paulo. A mulher Samaritana foi enviada por Jesus como evangelista, mas não ordenada. Outros foram enviados como apóstolos para desbravar. Apolo era um exímio mestre na palavra, mas não tinha sido ordenado.

A ordenação dos doze começa com a chamada para pescar homens, algum tempo depois Jesus após a ressurreição ordena os onze dizendo: ide pregai, ensinai e batizai. A pregação pressupõe o evangelista e o apóstolo, ensinar pressupõe o Mestre e o profeta, batizar é o papel do Pastor que apascenta. Interessante que Paulo disse que não se orgulhava de batizar, mas de pregar. Paulo deixa implícito que não tinha o dom de Pastorear, pois ele afirma que tinha o dom de Apóstolo, pregador e Mestre I Tm 2.7 II Tm 1.11 .Ele afirma: eu plantei, mas Apolo apascentou e Deus deu o crescimento.

Com essas considerações aprendemos que a mulher pode exercer o ministério, seja pregando, orando, ensinado, curando, aconselhando, dirigindo Igreja, liderando, agregando. Ou ao lado do marido ela tem a unção de Deus. A mulher pode dirigir Igreja, pois na prática já vem fazendo. Nas Igrejas da Assembleia de Deus, mesmo as mais tradicionais é evidente a existência de mulheres que dirigem congregações. É fato que muitas delas oram, pregam, expulsam demônios, curam e o resultado é o mesmo. Em alguns casos até feito com mais amor e diligencia do que muitos homens que se acomodaram. Bíblicamente a mulher pode, nós podemos.Fl 4.13.

Veja a citação de um líder político, dos mais respeitados no Brasil e no mundo na campanha eleitoral de 2010

Por que neste país a mulher não pode nada?

Quem te limpava quando você era criança?

Quem te socorria quando você era Bebê e tinha fome e tinha dor?

Quem te carregou no ventre durante 9 meses e sentiu dor para fazer você vir ao mundo?

Quem brigava com vizinhos para te defender quando você era criança?

Quem se expunha publicamente para te dar segurança?

Quem deixava você morder o peito dela para te alimentar?

Quem levantava de madrugada várias vezes para fazer você parar de chorar?

Quem improvisava algo para você comer, mesmo quando não tinha quase nada para comer?

Com certeza não foi seu pai, foi a mulher sua mãe

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ordenação de Mulheres


ORDENAÇÃO DE EVANGELISTAS E PASTORAS NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL: FORTALECIMENTO DA ORTODOXIA BÍBLICA OU RENDIÇÃO AO LIBERALISMO TEOLÓGICO?

Não bastasse a grande confusão que há em torno do ministério (cargo e ofício) de evangelista nas Assembleias de Deus no Brasil, temos agora a ordenação de mulheres, o que só vem agravar a atual situação. O cargo ou ofício de evangelista, nos moldes assembleianos, tem fundamentação bíblica? Tentaremos responder a estas e outras questões.
1. Análise Exegética e Conceitual
Os textos bíblicos que mencionam o ministério e a pessoa do evangelista são:
No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista (que era um dos sete), ficamos com ele. (At 21.8)
E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, (Ef 4.11)

Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2 Tm 4.5)
Os termos gregos traduzidos nas passagens acima para "evangelista" são:
- At 21. 8: εὐαγγελιστοῡ (euangelistou)
- Ef 4.11: εὐαγγελιστάς (euangelistas)
- 2 Tm 4.5: εὐαγγελιστοῡ (euangelistou)
No Dicionário Vine (CPAD, 2003, p. 629-630) lemos:
euangelistes (εὐαγγελιστής), literalmente, 'mensageiro do bem' (formado de eu, 'bem', e angelos, mensageiro), denota 'pregador do Evangelho' (At 21.8; Ef 4.11, que deixa claro a distinção da função nas igrejas; 2 Tm 4.5). [...] Os missionários são 'evangelistas' por serem essencialmente pregadores do Evangelho.
Nesta definição exegética do VINE, o seu entendimento de "função" não fica claro em termos de tratar de "cargo" ou "atividade específica".
O Dicionário Internacional do Novo Testamento (Vida Nova, 2000, p. 764) especifica que:
euangelistes é um termo para 'aquele que proclama oeuangelion'. Esta palavra, que é muito rara na literatura não-cristã, embora fosse bastante comum nos escritos cristão primitivos, se acha no NT apenas em At 21.8, Ef 4.11, e em 2 Tm 4.5. Nestas três passagens, faz-se distinção entre o evangelista e o apóstolo. Tal fato fica especialmente óbvio no caso do evangelista Filipe, pois sua atividade teinha que ser ratificada pelos apóstolos Pedro e João (At 8.14-15). Fica claro que o termo euangelistes, portanto, tem a intenção de se referir a pessoas que levam a efeito o trabalho dos apóstolos que foram diretamente chamados pelo Cristo ressuscitado. Mesmo assim, é difícil se a referência diz respeito a um cargo, ou, simplesmente, a uma atividade(grifo nosso). É possível que estes evangelistas tenham se ocupado na obra missionária (At 21.8) ou na liderança da igreja.
Perceba que Coenen e Brown, no Dicionário Internacional do Novo Testamento, assim como Vine, Unger e White Jr. no VINE, acham dificuldades em afirmar que evangelista era um "ofícial" da igreja, assim como eram os πρεσβύτερος (presbiteros, cf. Atos 20.28; 1 Tm 3.2; 1 Pe 5.1; 2 Jo 1; 3 Jo 1), os ὲπίσκοπος (episkopos ou bispos, cf. At 20.28; Fp 1.1; 1 Tm 3.2; Tt 1.7; 1 Pe 2.25) e osδιάκονος (diákonos, cf. 1 Tm 3.8, 12).
Na Chave Linguística do Novo Testamento Grego (Vida Nova, 1995, p. 393) Rienecker e Rogers definem o termo εὐαγγελιστής da seguinte forma:
[...] alguém que proclama as boas novas, evangelista. Um evangelista era a pessoa que pregava o evangelho recebido dos apóstolos. Ele era, particularmente, um missionário que levava o evangelho a novas regiões (v. Schlier; Barth; NDITNT).
Na Teologia Sistemática de Berkhof (Cultura Cristã, 1990, p. 538), juntamente com apóstolos e profetas, evangelista é designado de "oficial extraordinário", enquanto os oficiais ordinários são os presbíteros, os mestres e os diáconos.
Na obra Palestras Introdutória à Teologia Sistemática de Thiessen (IBRB, 1987, p. 299-330), o evangelista não é incluído entre os oficiais da igreja.
Em sua Teologia Sistemática, Strong (Hagnos, 2003, p. 674), diz que "É dois o número de oficiais na igreja de Cristo: primeiro o de bispo, presbítero, ou pastor; e segundo o de diácono".
Na Teologia Sistemática: atual e exaustiva de Grudem (Vida Nova, 1999, p. 758-774), são listados como oficiais os apóstolos, os presbíteros (pastores/bispos) e os diáconos.
Em Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, de Ferreira e Myatt (Vida Nova, 2007, p. 932-934), tratando sobre "As formas de governo eclesiástico", tanto no episcopalismo anglicano e metodista (desviado pelo catolicismo e modificados por várias igrejas pentecostais), como no governo presbiterial (característico das igrejas reformadas, como a "presbiteriana") e no governo congregacional (adotado especialmente pelas igrejas batistas), não é citado pelos autores o ofício de evangelista.
Escrevendo sobre o "Governo da Igreja", o missionário Eurico Bergstén, em sua obra "Introdução à Teologia Sistemática" (CPAD, 1999, p. 269-270), define como funções na Igreja: pastor (cf. Ef 4.11), presbítero (cf. Tt 1.5) e diácono (cf. 1 Tm 3). O evangelista também não aparece em sua relação.
No livro A Igreja e as Sete Colunas da Sabedoria, Severino Pedro (1998, p. 87) diz que:
Nos dias dos apóstolos, os evangelistas eram missionários pátrios que efetuavam a missão evangelizadora da Igreja entre os judeus e depois aos gentios, em posição subordinada aos apóstolos (Lc 10.1-17; At 8.4;11, 19). [...] A missão primordial dos evangelistas era a pregação das Boas Novas do Reino de Deus; igualmente a missão dada aos apóstolos no início de seus ministérios. Em ambos os casos, a idéia de pregar está presente nessas ocasiões.
Severino Pedro (Ibid., p. 89-90) classifica os evangelistas em três categorias: os evangelistas voluntários (At 4.31; 8.4; 11.9), que seriam todos aqueles que de alguma forma pregam o evangelho, os evangelistas autorizados (cf. 2 Tm 4.5), neste caso ele não afirma a ordenação de Timóteo, e os evangelistas ordenados (Ef 4.11), do qual somente Filipe é um exemplo bíblico.
Em Teologia Pastoral, de José Deneval Mendes (CPAD, 1999, p.28):
O evangelista é um portador inflamado pelo amor de Deus de boas-novas às almas perdidas, e cuja mensagem principal é a graça redentora de Deus. No ministério evangelístico, é o normal Deus operar grandes milagres com o objetivo de despertar o povo para a mensagem da sua Palavra. Assim como aconteceu em Samaria (At 8) e tem acontecido através dos tempos.
Aqui também não está clara a ideia de ofício ou de atividade extra-oficial.
Na Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD, 1995, p. 1815), lemos que:
No NT, evangelista eram homens de Deus, capacitados e comissionados por Deus para anunciar o evangelho, i.e., as boas novas da salvação aos perdidos e ajudar a estabelecer uma nova obra numa localidade. A proclamação do evangelho reúne em si a oferta e o poder da salvação (Rm 1.16). [...] O evangelista é essencial no propósito de Deus para a igreja. A igreja que deixa de apoiar e promover o ministério de evangelista (grifo nosso) cessará de ganhar convertidos segundo o desejo de Deus. [...] A igreja que reconhece o dom espiritual de evangelista (grifo nosso) e tem amor intenso pelos perdidos, proclamará a mensagem da salvação com poder convincente e redentor (At 2.14-41).
Perceba mais uma vez, que a ideia de "oficial da igreja" não fica clara, antes, são utilizados os termos "ministério de evangelista" (que necessariamente não implica em função oficial) e "dom espiritual de evangelista", onde neste sentido, Filipe, o "oficial" diácono, poderia ter o dom espiritual de evangelista, que o impulsionou a realizar o que está registrado nos textos já citados neste artigo.
2. Evangelista: cargo e ofício, ou dom do Espírito?
Como vimos nas análises exegéticas e conceitos acima, não há consenso ou firmeza em declarar que o evangelista era um "oficial" da igreja. O cargo (oficial) não existe não grande maioria das denominações evangélicas, e quando existe, como no caso das Assembleias de Deus, uma grande confusão é feita em torno do mesmo. Por exemplo:
a) O evangelista, na grande maioria dos casos é um cargo conferido a alguém desprovido das características bíblicas aqui afirmadas (amor pelas almas, habilidade para pregar o Evangelho; sinais sobrenaturais no seu ministério, poder em sua mensagem etc.);
b) O cargo de evangelista ocupa uma posição hierárquica abaixo do pastor, o que não se sustenta exegeticamente. Esta hierarquia consiste numa "escadinha" na seguinte ordem: auxiliar local, auxiliar oficial, diácono, presbítero, evangelista e pastor (e agora, em algumas convenções, "bispo"). Em razão disto, muitos evangelistas preferem, pelas mais diversas razões, o título de "pastor". Conheço alguns que em seus cartões, em cartazes de eventos e em outras ferramentas de identificação, divulgação ou publicidade, usam a designação de "pastor" em vez de "evangelista" (o status é maior);
c) Muitos evangelistas dirigem igrejas, função esta do pastor, deixando dessa forma de fazer o que lhe compete, que é pregar o evangelho aos perdidos. Acabam sendo criticados, e por vezes até hostilizados pela própria igreja e companheiros de ministério;
d) O cargo de evangelista é "dado" (também, pelas mais diversas razões) a quem não tem o dom, enquanto muitos que têm o "dom espiritual de evangelista" nem oficiais da igreja são, ou, ocupam as funções de auxiliares, diáconos e presbíteros;
e) A ordenação de evangelistas tem sido banalizada e usada para transformar obreiros (auxiliares, diáconos e presbíteros) em meros eleitores nas campanhas às eleições convencionais estaduais e nacional.
Se o cargo ou ofício de evangelista pudesse ser fundamentado biblicamente, no mínimo, deveria ser praticado em nossas igrejas de forma bíblica. Neste ponto o comentário de Severino Pedro (Ibid., p. 90) é bastante pertinente:
Nos dias atuais parece haver muitos avivalistas e poucos evangelistas. Existem Igrejas super-lotadas de pregadores, mas vazias de ganhadores de almas. E, além disso, a verdadeira função do evangelista, é que ele deve ser visto mais fora da Igreja do que dentro dela [me refiro aqui Igreja loca]. isto é, que ele não seja somente visto numa função local; mas que sempre avance na direção das almas perdidas sem Cristo; fundando novas Igejas e comunidades"
3. Questões Históricas
O “ministério” de evangelistas nas Assembleias de Deus é fundamentado pelo menos em dois modelos:
No modelo metodista wesleyano (evangelicalismo). Inquieto com a aridez espiritual e as formalidades da Igreja na Inglaterra, o ministro anglicano John Wesley (1703-1791) rompeu com a tradição da igreja e tornou-se o grande organizador do evangelismo itinerante em campo aberto. Até então a pregação do evangelho somente era feita nos cultos dominicais. Com o crescimento do movimento homens leigos começaram a pregar, o que de início gerou algum protesto por parte de Wesley, sentimento este logo superado, fazendo com que a atividade de tais pregadores fosse uma característica marcante do Metodismo (LATOURETTE, Kenneth Scottt. Uma história do cristianismo. São Paulo: HAGNOS, 2006, p. 1390, v. 2). Os oficiais leigos de Wesley (evangelistas) não administravam o batismo, nem a santa ceia (WALKER, W. História da Igreja Cristã. 3. ed. São Paulo: ASTE, 2006, p. 707).
No modelo pentecostal sueco. O modelo pentecostal sueco de governo eclesiástico influenciou bastante as Assembleias de Deus no Brasil, pois foi de lá que recursos financeiros e missionários foram enviados para dar apoio ao trabalho iniciado por Gunnar Vingren e Daniel Berg. Nas igrejas pentecostais suecas, o crente que tivesse o propósito de se tornar um pregador pentecostal e chegar ao “topo da coletividade”, deveria se matricular numa escola bíblica informal, participando de um curso que durava seis semanas, com aulas de interpretação bíblica, homilética e outros assuntos. Ao final do curso o aluno recebia o título de “evangelista”, e deveria sair para pregar o evangelho no país. O referido “evangelista” poderia “subir de posto” na igreja, passando a se chamar “pregador”, e depois disso poderia chegar ao posto de bispo (pastor). O interessante no modelo sueco é que as mulheres podiam se tornar “evangelistas”, mas não lhes era permitido ser uma “pregadora” ou “bispa” (ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 580)
Podemos afirmar que o ministério ou ofício de evangelista nas Assembleias de Deus no Brasil é resultado da mistura dos modelos históricos acima citados, e não da observação dos parâmetros bíblicos especificados no Novo Testamento.
Considerações Finais
Se evangelista é à luz da Bíblia um cargo ou ofício (que implica em ordenação), e para isto é citado Ef 4.11, por qual razão "profetas" e "mestres" não o são?
Se evangelista é à luz da Bíblia um cargo ou ofício, por quais razões as Escrituras não prescrevem os pré-requisitos, como nos casos de diáconos, presbíteros e bispos (1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9)?
Diante do aqui exposto, façamos uma análise de parte do discurso do pastor Sóstenes Apolo, por ocasião da ordenação de evangelistas e pastoras pela CEADDIF, conforme vídeo acima:
“[...] se essa mulher tem capacidade para governar o Brasil, e ela com toda certeza era a candidata melhor qualificada, se ela respeitadíssima no mundo inteiro, pode ser presidente do Brasil, não pode ser evangelista? Por que não pode ser reconhecida como instrumento de Deus para falar do amor desse Deus, que amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Por que cessear? Por que não apoiar, por que não respaldar alguém que frequenta ambientes que talvez nenhum de nós aqui, ou pouquíssimos de nós aqui frequentam. Por que não respaldar essa chamada de Deus, essa chama viva que arde em seu coração, que a impele a falar em todos os lugares que Jesus é Senhor e Salvador, que é o Rei da Glória!”
Minhas considerações são as seguintes:
- Ter capacidade ou competência para governar o Brasil, ou para administrar, ensinar, ou realizar qualquer outra atividade, em qualquer outro lugar ou instância, não habilita ninguém a exercer um ministério, a se tornar um oficial ou “ministro”, ocupando cargos e funções na igreja. É preciso que haja uma chamada específica para isso, uma vocação graciosa e soberana concedida pelo Senhor (Jo 15.16; At 13.1-3; Gl 1.15-17; Ef 4.11-14; 1 Tm 1.12-16; 2 Tm 1.8-12);
- Para alguém ser reconhecido(a) como instrumento de Deus na evangelização, e pregar o evangelho em qualquer lugar e a qualquer pessoa, não necessita de ordenação formal;
- Por que cessear? Por que não apoiar? Por que não respaldar? Pelo fato de que a ordenação de mulheres ao cargo ou ofício de evangelista não se sustenta biblicamente. A própria ordenação de homens nas Assembleias de Deus para tal “cargo” ou “ofício” é resultado da mistura de modelos históricos, e não do parâmetro neotestamentário.
É preciso deixar claro que no meio pentecostal assembleiano as mulheres sempre exerceram um papel importante na evangelização local, estadual, regional, nacional e mundial, atendendo dessa forma a grande comissão (Mt 28.19-20; Mc 16.15), sem precisar de ordenação, títulos ou cargos ministeriais. Não se trata aqui de manifestação de “desprezo a feminilidade”, de “machismo” ou “denominacionalismo”, mas de uma análise bíblica e franca sobre a questão.
Que o dom e a atividade de evangelista possam ser resgatados em toda a sua plenitude e biblicidade nas Assembleias de Deus no Brasil, para a expansão do Reino e para a glória de Deus!
Trataremos, se Deus quiser, no próximo artigo sobre a ordenação de mulheres ao ministério pastoral nas Assembleias de Deus no Brasil.

QUARTA-FEIRA, 11 DE ABRIL DE 2012

LANÇAMENTO: O PERFIL DE SETE LÍDERES (ALTAIR GERMANO)

Uma avalanche de biografias tem inundado as prateleiras de livrarias em todo o mundo recentemente. Biografias autorizadas, não autorizadas, trabalhos feitos por acadêmicos, por historiadores, textos sobre a vida de políticos, celebridades, enfim. Há muita coisa boa sendo produzida atualmente, o que certamente preservará a memória dos heróis e a memória do povo que foi influenciado por ele.
Obras assim, quando honestas, retratam os bons feitos, mas também carregam aspectos negativos. Ninguém está imune a isso e o leitor atento, crítico, não perdoará um livro biográfico que conte somente o que de bom e elogioso o biografado tenha feito. Ainda mais numa época como a nossa, quando “o que vende” é a notícia ruim, não a boa.
Olhar para o passado sempre traz recompensas como ensino, orientação, modelos a serem seguidos, inspiração e outros. A história é excelente professora. Feliz o homem e a mulher sensíveis e inteligentes que sabem extrair o melhor da vida e das realizações de gigantes do passado.
Os desafios enfrentados hoje diferem dos desafios do passado apenas no modo como se apresentam, nos aspectos exteriores, na etimologia, nas suas conjunturas. Mas as virtudes humanas necessárias para vencê-los todos são exatamente as mesmas. O homem está adaptado ao mundo do seu tempo, mas a sua essência não foi mudada, desde que foi “plantado” neste planeta. Ele tem as mesmas fraquezas e necessidades, as mesmas forças e desejos desde sempre. Um palestrante famoso costuma dizer que “nós somos o mesmo modelo desde....”.
É nisto que reside a importância desta nova obra de Altair Germano, O Perfil de Sete Líderes, ela conduz o nosso olhar para homens “cujo modelo” deu certo, colocando-os lado a lado com modelos de fracassos que ainda hoje são adotados. O autor volta-se ao passado, para a história bíblica, e busca nas biografias de sete líderes destacados quais virtudes os levaram mais longe do que a seus contemporâneos ou quais vícios os impediram de avançar. São eles: Roboão, Naamã, Uzias, Habacuque, Daniel, Neemias e Jesus.
O que alguns desses homens trouxeram ao mundo que vale a pena observar? Quais caminhos devemos evitar? A influência de uma obra como essa ― que não tem a proposta de ser uma biografia, mas um inventário de virtudes a serem estudadas ― é relacionar um conjunto variado de qualidades (ou falta delas) em homens sujeitos aos mesmos dilemas que vivemos hoje. Feito isso, propor o nosso investimento no desenvolvimento das mesmas virtudes com vistas a excelência em nosso meio, em nossas vidas.
Depois de ler este livro, seguramente você terá recursos e orientação necessários para avançar ainda mais contra os desafios e conquistas diárias que surgem. Trata-se de uma leitura leve, sintática, própria de um mestre no ensino que há muito vem contribuindo com a melhor formação de todo aquele que procura aprimoramento nas páginas das Sagradas Escrituras.
(Do prefácio)
Amados, tenho a satisfação de informar que o meu novo livro O Perfil de Sete Líderes acaba de “nascer”. A obra é dedicada a todos que exerceram liderança sobre minha vida e ministério. Tive o privilégio de mais uma vez contar com o belíssimo trabalho editorial, e com o honroso prefácio do pastor, editor e escritor Magno Paganelli.
Louvo a Deus por todos que fazem a Arte Editorial, pela maneira tão atenciosa com a qual sou tratado, e pelo brilhante trabalho desenvolvido no mercado editorial evangélico brasileiro.
Agradeço a todos que direta e indiretamente contribuíram para a concretização deste projeto literário. É meu desejo com mais esta obra que a edificação dos santos seja promovida, e que toda glória a Deus seja dada!
Especificações:
Formato: 13,6 x 20,9 cm
Páginas: 72
Capa: Cartão Supremo 250 gr
Miolo: Papel Norbrite Crean 66 gr
Preço: R$ 14,90

TERÇA-FEIRA, 10 DE ABRIL DE 2012

ORDENAÇÃO DE MULHERES NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL: FORTALECIMENTO DA ORTODOXIA BÍBLICA OU RENDIÇÃO AO LIBERALISMO TEOLÓGICO?


Amados leitores, tendo em vista os últimos fatos relacionados à ordenação de mulheres realizada por uma convenção de ministros filiada à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB, publicarei neste blog uma série de estudos com o tema“Ordenação de Mulheres nas Assembleias de Deus no Brasil: Fortalecimento da ortodoxia bíblica ou rendição ao liberalismo teológico?”.
Desde já conto com as vossas orações.

PR. ALTAIR GERMANO: 1ª AULA NA 18ª EBO DA AD EM SINOP-MT (2ª PARTE)

PR. ALTAIR GERMANO: 1ª AULA NA 18ª EBO DA AD EM SINOP-MT (1ª PARTE)

SEGUNDA-FEIRA, 9 DE ABRIL DE 2012

ORDENAÇÃO DE PASTORAS E EVANGELISTAS ASSEMBLEIANAS PELA CEADDIF


Contrariando a resolução da Assembleia Geral Ordinária da CGADB, realizada de 15 a 19 de janeiro de 2001 em Brasília, após discussão em plenário sobre a ordenação de pastoras nas Assembleias de Deus no Brasil, onde entre cerca de 2.500 ministros presentes, apenas três votaram a favor (cf. Daniel, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 633), e parafraseando a declaração de Paulo a Timóteo (1 Tm 4.12) ao afirmar "Ninguém despreze a tua feminilidade", o pastor Sóstenes Apolo, presidente da CEADDIF - Convenção das Assembleias de Deus no Distrito Federal, presidiu uma solenidade com a ordenação de pastoras e evangelistas assembleianas. Dentre as ordenadas estava a ex-ministra e candidata à presidência da República, Marina Silva.
Quais serão as ações da CGADB em relação ao fato?
O que definirá essas ações? A questão politica ou a questão doutrinária?
Quais serão as implicações do fato para o destino das Assembleias de Deus no Brasil?
Como já afirmei, e tem gente que ainda não acredita, a grande tendência nacional em relação à instituição "Assembleia de Deus" é o esfacelamento e a regionalização da mesma, que já caminha a passos largos, e que em muitos sentidos (doutrinários, usos e costumes, políticos, etc.) já é uma realidade.
Agora é orar (tomara que assim se faça) e aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

DOMINGO, 8 DE ABRIL DE 2012

A 18ª ESCOLA BÍBLICA DE OBREIROS DA AD EM SINOP-MT É MARCADA POR UM GRANDE QUEBRANTAMENTO DO ESPÍRITO

Da esquerda para a direita: Pr. Thiago Della Rosa (Vice-Presidente), Pr. José Antonio da Silva Sobrinho (Presidente), Pr. Altair Germano (Preletor) e Pr. Esdras Bentho (Preletor)
A igreja prestigiou o evento se fazendo presente nos cultos e nas aulas

Entre os dias 4 e 7 do corrente mês, a Assembleia de Deus em Sinop-MT, igreja liderada pelo pastor José Antonio da Silva Sobrinho, realizou a sua 18ª Escola Bíblica de Obreiros, marcada por uma grande mover do Espírito, que através das aulas ministradas provocou um grande quebrantamento na vida dos participantes. 

Tive na ocasião a oportunidade de ministrar três aulas (Dia 5 pela manhã, dia 7 pela manhã e tarde), além de pregar no dia 6, no culto da noite. Ministraram também na Escola Bíblica de Obreiros os pastores Esdras Bentho (RJ), Silas Daniel (RJ) e Ismael Ferreira (SP). No culto da noite pregaram ainda os pastores Jair Fagundes (MT) e Hélder (MT), que teve também a participação da cantora Lília Paz (RJ).


A Escola Bíblica de Obreiros da Assembleia de Deus em Sinop-MT, Dirigida pelo pastor José Antônio da Silva Sobrinho (Presidente) e coordenada pelo pastor Thiago Della Rosa (Vice-Presidente), já faz parte da agenda de eventos do município.


Que o Senhor continue abençoando os obreiros e irmãos desta tão amável igreja.

Agradeço também a todos que estiveram orando por nós.

QUINTA-FEIRA, 5 DE ABRIL DE 2012

18ª ESCOLA BÍBLICA DE OBREIROS DA AD EM SINOP-MT: ESBOÇO DE AULA MINISTRADA


TEMA: FUNDAMENTOS BÍBLICOS PARA UMA LIDERANÇA CRISTÃ TRANSFORMADORA
TEXTO: Mt 20.20-28
INTRODUÇÃO: A nossa ideia de liderança é formada por nossos referenciais ou paradigmas de liderança
1. A ideia de liderança no contexto do Novo Testamento, e mais especificamente nos dias do ministério de Jesus, estava fundamentada em modelos distorcidos, presentes na pessoa e atividade da classe sacerdotal, dos monarcas, dos imperadores e dos senhores latifundiários e comerciantes. Nestes modelos distorcidos, a ênfase da liderança estava:
- Na hierarquia (posição social diferenciada)
- No status (representação social diferenciada)
- No privilégio (tratamento social diferenciado)
- No poder (relação social diferenciada)
- No mérito (competência social diferenciada)
Em razão do modelo distorcido, a liderança era desejada e disputada (cf. Mt 20.20, 21), promovendo dessa forma conflitos de interesses.
2. Diante da manifestação dos interesses e desejos de seus discípulos pelos lugares diferenciados, e do conflito que isso provocou, Jesus, em vez de reprová-los de forma definitiva, trabalhou no sentido de promover uma transformação em suas ideias e perspectivas, para que dessa maneira pudessem compreender a verdadeira essência da liderança cristã, que se fundamenta:
- Na possibilidade e realidade do martírio (v. 22), em vez de privilégios (Mt 26.36-39; At 20.22-24; Rm 8.18; 2 Co 4.16-18; 11.23-33; Fp 1.19-21). A possibilidade e realidade do sofrimento e da morte estão na essência da liderança cristã comprometida com Deus e com a sua palavra.
- Na escolha soberana e graciosa de Deus (v. 23b), em vez de méritos pessoais (Jr 1.5; Jo 15.16; Gl 1.14-16; 1 Tm 1.12-17). Quando compreendemos a escolha soberana de Deus acerca dos lugares que ele preparou para cada um de nós, a disputa dá lugar à descoberta, a competição dá lugar à cooperação, e a articulação dá lugar à busca em oração pela vontade de Deus.
- No serviço e dedicação ao próximo (v. 25-26), em vez do domínio sobre o próximo ou da exploração do mesmo (Lc 10.25-37), o que implica em investir no próximo atenção (Lc 10.33a), emoção (Lc 10.33b); cuidados (Lc 10.34a); recursos materiais (Lc 4.34b); Força e energia (Lc 4.34c), tempo (Lc 4.35a) e dinheiro (Lc 4.35b).
- Na condição de servo (v.27), em vez de hierarquicamente senhor, ou socialmente destacado. Na genuína liderança cristã a tradicional pirâmide organizacional é colocada de cabeça para baixo.
Diante da realidade da essência e fundamentos da verdadeira liderança cristã, e de suas implicações, ela deixa de ser desejada e disputada, e passa a ser indesejada e temida. É nesse contexto de sofrimento, soberania e serviço que surge a necessidade de estimular o desejo pela liderança (1 Tm 3.1).
Conclusão
A nossa ideia sobre liderança cristã precisar urgentemente ser descontruída, restaurada e transformada, adequando-se ao ensino e exemplo do maior líder de todos os tempos, Jesus.